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O Centro de Inovação e Sustentabilidade do Semiárido (CIIS)

O Centro de Inovação e Sustentabilidade do Semiárido (CIIS) é um projeto de extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A iniciativa tem o objetivo de ser um espaço de desenvolvimento de pesquisas relacionados ao semiárido nordestino, mais especificamente com estudos no Rio Grande do Norte e que contribuam para uma maior sustentabilidade de atividades produtivas localizadas na área rural.

O projeto Centro de Inovação e Sustentabilidade do Semiárido (CIIS) funciona na zona rural do município de Caiçara do Rio do Vento (RN) a 100 km de Natal.

O projeto se justifica por buscar aproximar pesquisadores com o meio ambiente, economia e sociedade do sertão do Rio Grande do Norte, região essa que apresenta características especiais, merecendo atenção especial de pesquisas. O objetivo do CIIS é ser um espaço aberto para vários pesquisadores imaginarem pesquisas e atividades de ensino e extensão que contribuam para o desenvolvimento sustentável.

A aproximação com o sertão implica em organizações e pesquisadores identificarem o que pode ser pesquisado de modo a se promover uma maior sustentabilidade ambiental, econômica e social no sertão.

Espera-se que o desenvolvimento das pesquisas no CIIS colaborem para o desenvolvimento de atividades empreendedoras relacionadas ao desenvolvimento sustentável social, econômico e ambiental, iniciativas essas urgentes de serem pensadas no contexto atual no qual se observam os efeitos de estiagem, desertificação, mudança climática e desestruturação dos processos produtivos.

Mais informações podem ser obtidas através do telefone 84 99986-9173 com o professor Julio Rezende do Departamento de Engenharia da Produção (UFRN) ou pelo e-mail: juliofdrezende@hotmail.com.

Agricultores mostram como podem sobreviver na escassez do semiárido

Saiu no Novo Jornal:

Manga, cajá, acerola, maracujá, goiaba, mamão e melão, graviola, frutos do suor de sertanejos de pele queimada que insistem em viver da agricultura, apesar da seca, algoz do semiárido. Na escassez da comunidade rural Povoado Cruz, em Currais Novos – a 180 km de Natal -, um grupo de moradores plantou o empreendedorismo e fez brotar do solo renda para mais de 30 famílias.

Os frutos, antes desperdiçados ou comercializados sem valor na feira, transformaram-se em polpas, sem adição de água nem ingredientes químicos. Puras e fortes como o povo do sertão, as Polpas da Cruz alimentam o sonho compartilhado por Inês, Inácio, Francisco, José e Isaac: manter irrigadas as raízes no campo, sem precisar fugir para a cidade em busca de um sustento.

A ação de produzir os frutos e beneficiá-los é feita através da Associação Clube de Mães e Jovens Tereza Celestina Dantas, que já foi contemplada por investimentos do Banco Mundial em 2004, 2006, 2009, e agora se prepara para receber mais uma bolada de recursos, através do programa RN Sustentável, que injetará em todo o  estado 540 milhões de dólares, propiciando do desenvolvimento das pequenas cadeias produtivas nos próximos cinco anos.

Devem ser aplicados na expansão da produção de polpa da associação, ainda no próximo ano, cerca de R$ 280 mil, valor máximo previsto no edital para subprojetos de economia Solidária. Com o dinheiro, a comunidade espera substituir as máquinas de extração do miolo das frutas, já obsoletas, e ampliar a capacidade de armazenamento da polpa. Muitos frutos têm uma única safra anual, e para que a associação tenha polpa o ano todo é preciso aproveitar integralmente tudo o que é produzido em cada período de colheita.

arta Jussara de Araújo ajuda a família trabalhando no beneficiamento das frutas; por hora de trabalho, recebe R$ 3 reais. (Foto: Ney Douglas)

arta Jussara de Araújo ajuda a família trabalhando no beneficiamento das frutas; por hora de trabalho, recebe R$ 3 reais. (Foto: Ney Douglas)

A situação atual é preocupante. Com a câmara fria já cheia, muitos agricultores vinculados à associação estão perdendo a produção, que já não está muito boa em razão da escassez de água. Dos 30 membros que plantavam os frutos, apenas 11 continuam produzindo. Só Issac Fernandes, 44, já perdeu mais de 20 caixas de manga por não ter como beneficiá-la. Vender a produção excedente, conta ele, não é vantagem. Uma caixa de manga comercializada em feiras livres sai a R$ 3. Transformada em polpa, vale mais de R$ 100.

Ainda assim, Fernandes conta que a produção de polpas pela associação só veio ajudar ao agricultor. Nascido e criado no sítio, ele diz que a situação já foi bem pior. De 50 caixas produzidas, apenas cerca de 10 eram comercializadas nas feiras e todo o restante se perdia. “E quando a câmara maior vier, vai ser melhor ainda porque não vai se perder mais nada. A renda do agricultor já é muito pouca, não pode existir desperdício”, assinalou.

Com os recursos já garantidos, os agricultores estão apelando para o Sagrado Coração de Jesus, padroeiro do povoado, pedindo chuva. Sem água, a produção não tem como ser mantida. “Rezar é o jeito que tem”, assinalou Fernandes. Em sua propriedade, há dois quilômetros da sede da associação, ele conta que já produziu goiaba e acerola, entre outros produtos.    “Mas com essa seca, o rio que eu tinha secou. E até as mangueiras já estão em decadência. Se não chover rápido, elas vão morrer também”, lamentou, preocupado com um futuro breve sem chuvas. “A minha vida é aqui e minha vontade é continuar no sítio. Não queria sair daqui nunca. Mas se tiver que sair para sobreviver, vai ser o jeito”.

Espetáculo’ de águas no semiárido do RN desaparece com seca histórica

Notícia publicada no portal G1 RN:

O sertanejo que mora no Seridó potiguar nunca sofreu tanto com a falta de chuvas. “Minha mãe dizia que nós tínhamos um mar de água doce na porta de casa, e que jamais nos preocuparíamos com a seca. Agora, só nos resta rezar”, lamenta o agricultor Fabiano Santos. Como ele, mais de 11 mil pessoas que vivem em Acari e 44 mil em Currais Novos dependem do açude Gargalheiras, que está com 5,6% da capacidade. As prefeituras dizem que a situação é desesperadora. O Seridó é uma das regiões mais afetadas pela seca no Nordeste, e fica no semiárido do Rio Grande do Norte, conhecido pela pouca folhagem e sombra da vegetação.

Para a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), a única solução é racionar. Nas duas cidades, a empresa impôs rodízios para não ter que suspender o abastecimento. Já o escritório local do Departamento de Obras Contra a Seca (Dnocs) diz que não há obras em andamento e a única coisa a fazer agora é torcer para que as chuvas venham logo. Na região, não há boas precipitações desde o início do ano. O Dnocs é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Integração Nacional e tem como papel principal executar políticas para o beneficiamento de áreas e obras de proteção contra as secas e inundações.

O G1 foi ver de perto o “mar” dos seridoenses. A primeira parada foi em Acari, a pouco mais de 200 quilômetros de Natal. Eleito uma das sete maravilhas do estado em um concurso realizado por um jornal, o Gargalheiras (cujo nome oficial é açude Marechal Dutra) foi inaugurado em 1959. Ao longo de 55 anos, as águas transpuseram a parede da barragem, que tem 25 metros de altura, pelo menos 30 vezes.

A última sangria, em maio de 2011, com uma lâmina d’água de mais de 1 metro, formou uma cachoeira artificial que se tornou ponto turístico durante duas semanas. Agora a paisagem é outra. O reservatório, um dos maiores do estado, pode armazenar até 44,5 milhões de metros cúbicos de água, mas está no nível mais baixo da história (5,6%). A medição mais recente foi feita pelo Dnocs no dia 21 de outubro.

À esquerda, açude Gargalheiras em 2011, quando ainda ocorria a 'sangria', a cascata artificial; à esquerda, nos dias atuais, sob a seca (Foto: Canindé Soares e Anderson Barbosa/G1)

À esquerda, açude Gargalheiras em 2011, quando ainda ocorria a ‘sangria’, a cascata artificial; à esquerda, nos dias atuais, sob a seca (Foto: Canindé Soares e Anderson Barbosa/G1)

Pelo tamanho do reservatório e importância econômica para toda a região, o sertanejo acreditou que os efeitos da seca haviam se tornado lembranças do passado. “A alegria do homem do campo foi embora, evaporou. Só ficou a preocupação”, afirma Francisco das Chagas Barbalho, de 59 anos.

Funcionário de carreira, ele trabalha há mais de 30 anos no escritório do Dnocs em Acari. “Na região, a última chuva considerável, cerca de 80 milímetros, caiu em janeiro. Aqui e acolá vem uma garoa, que não dá para nada. O Dnocs não tem o que fazer. É pedir a Deus um inverno bom”, acrescenta.

“A sangria do Gargalheiras é um espetáculo que atrai milhares de pessoas. Turistas movimentam a economia da cidade. A pesca se fortalece. Hoje não tem mais nada disso”, lamenta Celso Medeiros, que já presidiu a colônia de pescadores da região e agora toma conta de uma das pousadas mais tradicionais de Acari. “Há três anos aqui vivia cheio de gente. Os onze quartos da pousada estavam sempre lotados. Hoje não dá quase ninguém. Quem quer ver uma beleza dessa seca? É muito triste assim como tá”, afirma.

A tristeza de Celso é compartilhada pelo pescador José Luiz. Com 60 anos, ele nem precisa mais de canoa. Com o nível da água baixo, é possível descer pelas margens da barragem e andar pelo leito do rio. José é um dos que ainda arriscam passar horas lá e sair com poucos peixes na mão. “É necessidade. Mesmo dando muito, pouco ou quase nada, é daqui que eu tiro o sustento da minha família. Há três anos pescava até 30 quilos por dia de tilápia e camarão. Hoje nem chega a 5 quilos. Dá para comer um pouco e o resto a gente vende”, diz. Sentado numa pedra, quase embaixo da imponente parede do açude, ele deposita na fé a esperança de dias melhores: “Só Deus para nos ajudar”.

Francisco Medeiros, conhecido como Titi, tem 50 anos e diz ser um dos pescadores mais ativos da região. “Pesco desde os 12 anos, e nunca vi uma coisa tão triste assim. Mal dá para viver. Sem dinheiro, atrasam as contas de água, luz e gás. Tem o seguro do defeso, que ajuda, mas que só começa a ser pago no mês que vem. Recebemos um salário mínimo por três meses quando a pesca é proibida por causa da desova. Este ano, como está muito ruim, estão dizendo que vão pagar quatro meses. Sei não”, comenta.

Enquanto aguarda pela recuperação do Gargalheiras, ele mostra o pouco do camarão que conseguiu pegar. “Com o açude cheio, o camarão é graúdo. E dá para pegar mais de 30 quilos. Hoje só tem assim, bem miudinho. Só serve para moer e fazer linguiça de camarão. É trabalho dobrado para ganhar bem menos”, reclama.

José Luiz é um dos poucos pescadores que ainda arriscam a sorte em Gargalheiras (Foto: Fred Carvalho/G1)

José Luiz é um dos poucos pescadores que ainda arriscam a sorte em Gargalheiras (Foto: Fred Carvalho/G1)

Rodízio de água
A Prefeitura de Acari diz que busca parcerias para tentar minimizar os efeitos da estiagem. José Ari Bezerra Dantas, secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Abastecimento do município, conta que desde o início da estiagem prolongada, ainda em 2012, 13 poços artesanais foram perfurados nas comunidades rurais. “Cinco poços foram perfurados pela Secretaria Estadual de Recursos Hídricos; os outros oito pelo Exército, por meio da Operação Pipa. Estamos tentando outros 15 poços no Dnocs”, afirma.

O secretário também destaca atuação da Operação Pipa no município, que por meio de carros-pipa retira água do Gargalheiras, leva para a central de tratamento da Caern e devolve à população abastecendo as cisternas das comunidades mais afastadas. Contudo, José Ari admite que as medidas não são suficientes. Para ele, a situação é mais preocupante do que se imagina. “É desesperadora. Pode perguntar para a Caern. Se não chover até o fim do ano, o Gargalheiras vai entrar no volume morto, que é uma água muito suja. Provavelmente será preciso intensificar o rodízio de água aqui no município”, acrescenta.

Gerente do escritório da Caern em Acari, Adelson Santos concorda com o secretário. Ele explica que o rodízio implantado até o momento é de 24 horas. Enquanto metade da cidade recebe água, as bombas são fechadas para a outra parte. No dia seguinte, a situação se inverte. “É necessária. Se não fosse esse sistema, já estaríamos sem água.”

Ainda de acordo com Santos, o chamado volume morto é o resto, quando o manancial atinge menos de 5% de sua capacidade de armazenamento. Nesta condição, a água se torna imprópria para o consumo humano em razão da mistura com a lama e demais dejetos que estão no fundo do leito. “Ainda dá para utilizar, mas daí carece de um tratamento químico mais forte. No ritmo que vem baixando o nível, as águas do Gargalheiras devem chegar ao volume morto até o fim do ano”, estima.

“Se não chover até lá, é claro que a água vai baixar ainda mais, até chegar num ponto em que o tratamento será ineficaz. Daí não vai ter outro jeito senão suspender a distribuição de água em Acari. Isso, consequentemente, afetará também todo o município de Currais Novos”, complementa o gerente da Caern.

Rodízio de água em Acari deve ser intensificado (Foto: Fred Carvalho/G1)

Rodízio de água em Acari deve ser intensificado (Foto: Fred Carvalho/G1)

Situação crítica e prejuízos
Para o governo do Rio Grande do Norte, esta é a pior seca dos últimos 50 anos. Dos 167 municípios do estado, 152 estão em situação de emergência por causa da estiagem prolongada. O decreto, o sétimo consecutivo desde abril de 2012, foi publicado pela governadora Rosalba Ciarlini no final do mês passado.

A Secretaria Estadual de Agricultura estima um prejuízo de R$ 4,6 bilhões para a produção agropecuária potiguar, o que representa uma redução de 56,9% na contribuição do setor rural para a formação do Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Norte, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no estado.

Reservatórios baixos
De acordo com o decreto, a maior parte dos reservatórios localizados no estado estão com percentual de armazenamento inferior a 50% da capacidade máxima. O documento acrescenta que, desses reservatórios, há 15 açudes com armazenamento inferior a 10% da capacidade máxima. O governo reforça que a situação tem deixado a zona rural dos municípios sem água para produção agrícola e pecuária e também para consumo humano.

Relatório da Caern de 13 de agosto revelou a existência de cinco municípios com colapso no abastecimento em virtude da escassez de recursos hídricos. A previsão é que mais oito cidades possam vir a ter seus sistemas de abastecimento de água interrompidos até dezembro. Até o momento estão em colapso no abastecimento os municípios de Rodolfo Fernandes, Tenente Ananias, Paraná, Antônio Martins e Carnaúba dos Dantas. Em novembro do ano passado, o G1 visitou nove cidades em colapso e constatou que, na maioria, a população precisava usar os recursos do Bolsa Família para comprar água.

A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) informou que os índices pluviométricos das cidades apresentam desvios negativos de até 35% abaixo da média. No decreto, o governo explica que as chuvas de inverno foram insuficientes para a formação de estoques de água potável para o suprimento da população rural nos principais reservatórios, tais como açudes, tanques, poços tubulares, barreiros e cisternas.

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Produção de orgânicos transforma a realidade do semiárido potiguar

Confira matéria publicada no portal Mercado Aberto:

Na paisagem seca do Semiárido Nordestino, uma imagem, cada vez mais comum, chama a atenção. Faixas de terra circulares, onde o verde predomina, é o sinal de que já chegou ali a tecnologia social da Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS). Mas além de atrair olhares, a cor inconfundível que brota da terra em forma de hortaliças e leguminosas está transformando a vida de pequenos produtores rurais. A garantia de renda e melhoria na qualidade de vida obtidos por meio da produção de alimentos orgânicos apontam que o campo ainda é uma alternativa viável de oportunidade de negócios.

No Assentamento Lagoa de Xavier, a 25 quilômetros de Mossoró, a produção agroecológica, instalada no Estado por meio de parceria entre o Sebrae no Rio Grande do Norte e a Fundação Banco do Brasil, se tornou a principal fonte de renda para o produtor Francisco França. Apresentado ao projeto há cerca de sete anos, ele comemora os bons resultados e o crescimento da produção e do consumo de orgânicos na região.

“Lembro quando tudo começou. Era muito difícil tanto para mudar nossa mentalidade, de que a produção orgânica é interessante, como também porque a demanda ainda era muito pequena. Hoje estou mais do que satisfeito com o trabalho e com a renda que tenho”, comemora.

Foto: Divulgação Sebrae

Foto: Divulgação Sebrae

Na área de aproximadamente um hectare, onde cultiva hortaliças como rúcula, alface, cebolinha, coentro, couve folha, pimentão, tomate cereja, cebola, beterraba e repolho, ele também aposta em frutas como goiaba, mamão e banana. Segundo ele, o aumento na produção supera os 200%.

A maioria dos produtos é destinada à Feira Agroecológica de Mossoró, que acontece todos os sábados, no largo do Museu Municipal Lauro da Escóssia Rosado. Semanalmente França comercializa em média 15 quilos de tomate, 150 maços de coentro, 10 pacotes de cebola, além de outros produtos. O restante da produção é comercializado por meio de programas governamentais ligados à agricultura familiar.

Fred VerasFrancisco França exibe orgulhoso as mudas cultivadas no próprio viveiroFrancisco França exibe orgulhoso as mudas cultivadas no próprio viveiro“Eu não poderia estar mais feliz e orgulhoso, sabendo que estou oferecendo alimento de qualidade e ajudando a disseminar a cultura dos orgânicos, e ainda tendo uma renda mensal que cresce a cada mês”, atesta o produtor, que já trabalha com um auxiliar e pretende contratar outro para dividir as tarefas.

Orgulho feminino

Em outro extremo da área rural de Mossoró, no Assentamento Recanto da Esperança, a produtora Geisa Maria do Nascimento é mais um exemplo de que o conhecimento transforma. Acostumada a lidar diariamente com as atividades domésticas, ela descobriu, por meio da produção orgânica, como ter fonte de renda no meio rural para ajudar no sustento da família. “Antes eu nem sabia o que era orgânico, e hoje em dia, quando estou no pico da produção, chego a ter uma renda de R$ 1.200 por mês só com a venda dos produtos na feirinha. Quando era que teria um salário desses aqui, no assentamento?”, questiona.

Geisa conta que ingressou no grupo de produtores de orgânicos há seis anos, e, desde então, esta a principal fonte de renda da família de quatro integrantes. Ela e o marido revezam nas tarefas com a terra. Desde o preparo da calda nutritiva à base de esterco para fertilizar o solo até a colheita dos produtos, sejam eles hortaliças, legumes, frutas, mel ou ovos de galinha caipira. “A gente divide as tarefas e garante bons resultados na colheita. Sou muito orgulhosa do que faço e cada dia procuro buscar mais conhecimento para crescer cada vez mais”, garante.

Em meio ao plantio dos mais diversos tipos de hortaliças também acontece uma outra etapa do processo. O viveiro de mudas instalado no terreno retrata o bom momento do negócio e é prova do ritmo contínuo de produção adotado na produção.

O cultivo de mudas é fruto de capacitações promovidas pelo Sebrae-RN desde o início do projeto e tem no esterco animal peneirado a principal fonte de nutrientes. Devido ao aumento na procura, semanalmente são produzidas quatro novas bandejas de mudas, de variados tipos de folhagens e leguminosas.

“Recebemos toda a orientação e colocamos em prática a cada dia, testando novos produtos, que variam de acordo com a época do ano. Durante todo esse tempo adquirimos muito conhecimento, mas quero aprender ainda mais”, garante o produtor.

De acordo com o consultor credenciado do Sebrae-RN, Roberto Brígido, o trabalho de orientação vai mais além. Para garantir uma produção eficiente, são realizadas capacitações em diversos âmbitos do negócio. Desde o manejo até a gestão do negócio. “A ideia é preparar os produtores para que, além de produzirem alimentos com qualidade, dentro dos padrões de segurança alimentar exigidos, eles possam ter noções de como gerir o negócio, que na maioria dos casos, é a única fonte de renda da família”, pontua.

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Plano Safra destina R$ 300 milhões para região semiárida do RN

Notícia publicada na Tribuna do Norte:

O Plano Safra criado exclusivamente para a região semiárida do Brasil, historicamente castigada pela seca como a que vem ocorrendo desde 2012, vai destinar pelo menos R$ 300 milhões ao Rio Grande do Norte de um total previsto de R$ 7 bilhões para o Nordeste, norte de Minas Gerais e parte do Espírito Santo.

A garantia foi dada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, em passagem por Natal esta semana. “Precisamos manter todas as ações emergenciais onde houve seca para garantir a safra agrícola no futuro”, disse ele, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE.

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Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas: Ações ajudarão a garantir a safra no futuro. (Foto: João Maria Alves)

Pepe Vargas disse que o Plano Safra está dentro do PAC que destina R$ 32 bilhões para a infraestrutura hídrica. “As taxas de juros serão abaixo da inflação, com  o agricultor familiar pagando, no máximo, entre 0,5% e 3% de taxas de  juros ao ano”, afirmou ele.

No entanto, caso  não chova no próximo ano, o ministro sugeriu que no caso do Rio Grande do  Norte, onde choveu pouco em 2013,  os agricultores familiares continuem “usando a linha de crédito emergencial, que é mais vantajosa”. A linha emergencial de crédito para a agricultura familiar tem juro de 1% ao ano, com rebate de 40% e pagamento em dez anos.

O ministro do Desenvolvimento esteve em Natal para apresentar os detalhes do Plano Safra Semiárido aos prefeitos potiguares. O plano vem sendo executado desde 1º de julho para o semiarido, que concentra 11% do território do país e 13% da população.

A governadora Rosalba Ciarlini assinou junto com o ministro, durante solenidade realizada na Escola de Governo, no Centro Administrativo, um acordo de cooperação técnica visando a articulação institucional para a execução de ações que compõem o Plano Safra da Agricultura Familiar e o Plano Safra Semiárido 2013/2014.

Segundo Rosalba, o RN deve potencializar as ações e contribuições que estão sendo aplicadas no estado. “Vamos fazer com que o Plano Safra prospere ainda mais. Sabemos que a burocracia ainda emperra e dificulta muita coisa, porém temos que continuar lutando, pois sei que por parte do Ministério do Desenvolvimento Agrário existe boa vontade, então vamos em frente”, afirmou a governadora.

Atuação

O Plano Safra Semiárido contém cinco linhas básicas de atuação que serão destinadas aos sistemas produtivos com reservas de água, para a construção de cisternas e barragens submersas; ao sistema rotativo de reserva de alimento para os animais; recuperação de cultivos alimentares; recuperação da pecuária e estímulo à agroindústria.

O ministro Vargas disse que a presidente Dilma Rousseff garantirá a continuidade de programas, como o Seguro Safra, que só no Estado atende 46.753 agricultores cadastrados para receber o seguro. Na safra 2012/2013, 140 municípios solicitaram adesão. Para a safra 2013/2014, até o momento, 148 municípios estão em fase de solicitação de 64.000 mil cotas.

Durante a visita do ministro também foram entregues máquinas e equipamentos para recuperação de estradas vicinais e escoamento da produção agrícola em 80 municípios. Ao todo foram entregues 81 equipamentos, sendo 32 caminhões-caçamba, 13 retroescavadeiras e 36 pás carregadeiras, um investimento de aproximadamente R$ 100 milhões.

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Projeto quer espalhar palma forrageira irrigada no semiárido potiguar

Noticia publicada no Novo Jornal:

O Rio Grande do Norte pode ganhar um reforço de R$ 10 milhões na luta contra os impactos da seca. O recurso é o valor estimado para a viabilização de um projeto apresentado recentemente ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn). O objetivo é ampliar os campos de produção de palma irrigada no estado e garantir uma reserva a mais de energia para o rebanho potiguar nos tempos de estiagem.

Foto: Tribuna do Norte

Foto: Tribuna do Norte

O projeto está sob avaliação dos técnicos federais e não entra como uma medida emergencial, mas sim como uma proposta estruturante. Caso aprovado, dever ter sua execução iniciada ainda este ano. A primeira colheita, no entanto, só acontece num prazo de 24 meses. A iniciativa garante a continuidade e valida os avanços já conquistados na produção do cacto ao longo dos últimos três anos no estado.

A palma, explicou o coordenador de pesquisa e produção animal da Emparn, Guilherme Ferreira da Costa Lima, além de ter um rendimento alto, pode substituir o milho. “Trata-se de um alimento muito rico em energia e, em função do rendimento, poderá servir como uma base para o alimento forrageiro ajudando os produtores nos momentos de crise”, destacou.

E quando se fala em palma irrigada não se deve associar à irrigação de outros produtos, como de milho e sorgo. Enquanto para estes alimentos se gasta em média 100 mil litros de água por dia na irrigação de 1 hectare (10 mil m²), para a cactácea não se gasta mais do que 75 mil litros por mês. “É só um cheirinho de água. São 7,5 litros por metro a cada 15 dias num sistema de gotejamento”, explicou.

O primeiro passo previsto no projeto é fazer uma área de 50 hectares para produzir palma e distribuir raquetes (mudas da planta) para o estado inteiro. A estimativa é de que nesta área, se produza cerca 15 milhões de raquetes por ano. Esta unidade de produção garantirá uma economia considerável para o produtor que, se quisesse plantar por conta própria, pagaria cerca de 40 centavos por cada raquete. Palmais de um hectare levam cerca de 50 mil mudas, o que representaria um gasto de R$ 20 mil.

No projeto, está contemplada a implantação de 100 unidades de 0,2 hectares em pequenas propriedades, com a irrigação e secador solar. A ideia é que estes pequenos agropecuaristas, como vão receber as raquetes através dos recursos federais, assumam o compromisso de repassar a outros produtores 25% do que conseguirem produzir. Assim, estará garantida a capilarização dos palmais em todo o estado.

Ainda se deve testar diferentes formas de captação de água, utilizando barragens subterrâneas, sistema de calçadão (área com captação de água que joga o recuso em uma cisterna) e poços de baixa vazão mesmo que a qualidade da água não seja tão boa.

Um detalhe importante é que estas mudas produzidas nos 50 mil hectares serão de espécies resistentes às pragas que comprometem a produção. Há dois tipos muito comuns de doenças: a cochonilhas-de-escama e a cochonilha-do-carmim. A primeira prejudica em menor proporção, mas a segunda já, praticamente, varreu os palmais de Pernambuco e da Paraíba. A praga é provocada por um inseto (Dactylopius opuntiae) que se alimenta da seiva das plantas e introduz toxinas que podem destruir a palma forrageira em poucos meses se não for combatida rapidamente. Em dezembro do ano passado, a cochonilha-do-carmim foi encontrada na cidade de Equador, na região Seridó, mas foi firmemente combatida e não se espalhou.

Uma pesquisa do estado de Pernambuco comprovou que há dois tipos de palmas resistentes a estas pragas, a Palma Orelha de Elefante Mexicana e a Palma Miúda, que já é usada no Rio Grande. A Gigante, presente nas pesquisas anteriores da Emparn, é suscetível e, por isso, não deve voltar a ser usada.

Com os recursos do MDA, deve acontecer também uma ampliação de um laboratório de biotecnologia no estado, que hoje só produz mudas de bananeiras. O objetivo é passar a produzir também as raquetes da palma. Guilherme explicou que se trata de uma tentativa de acelerar o processo de produção em laboratório.

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Fazer parte do semiárido devia ser um ponto positivo para a economia do RN

Texto do colunista Marcos Aurélio de Sá do Jornal de Hoje:

– No debate que se estabelece, pela enésima vez, entre as lideranças do empresariado rural, autoridades públicas e a classe política do Rio Grande do Norte sempre que os terríveis efeitos das grandes secas periódicas se abatem sobre o semiárido nordestino, ninguém parece dar importância a um fato transcendental: o de que qualquer sugestão de solução se torna pura perda de tempo e de recursos financeiros se teimarmos na manutenção do nosso secular e fracassado modelo de exploração agropastoril.

Foto: 360graus.terra.com.br

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– Os exemplos internacionais são abundantes a nos provar que é mais do que viável fazer agricultura e pecuária nas regiões geográficas quentes e mal servidas de chuvas, desde que haja como recorrer a fontes alternativas de água.

– A ciência agronômica prova a todo instante que a incidência de mais horas de sol por ano sobre determinados territórios acaba acelerando e multiplicando o processo germinativo do solo, ao contrário do que acontece nas zonas frias e temperadas do planeta, onde só é possível o plantio e a colheita em curtos períodos sazonais.

– O êxito quase secular da pecuária no Texas e da produção de alimentos na Califórnia, unidades da federação norte-americana inseridas entre as de economia rural mais pujante e desenvolvida do mundo, são as melhores evidências para provar que a escassez de chuvas (e até sua falta quase absoluta) não é justificativa para pobreza, miséria, fome, sede, destruição ambiental, convulsões sociais e outros tantos males, como boa parte da nossa gente pensa e apregoa.

– Em tempos mais recentes, a exploração de terras áridas ou semiáridas da Austrália, de Israel, da Turquia, do Egito (e de outros países do Norte da África), bem como do Sul da Espanha, para fins de exploração agrícola mediante uso de tecnologias de irrigação, de correção e adubação do solo, de seleção de variedades aperfeiçoadas de sementes adaptadas a cada microclima e resistentes a pragas, está demonstrando que o que falta à agricultura do Nordeste brasileiro é, tão somente, copiar os bons exemplos de outros povos, o que inclusive pode ser conseguido sem maiores custos, pois em boa parte eles são fruto de tecnologias de domínio público.

– O nosso Rio Grande do Norte, embora possua mais de 90 por cento de sua área territorial no semiárido, é um dos Estados nordestinos proporcionalmente mais favorecidos por reservas de água doce armazenadas em grandes barragens e, mais ainda, depositadas em seu subsolo. Com o detalhe de que, ao contrário dos seus vizinhos (Paraíba e Pernambuco, por exemplo), o Estado possui grandes extensões de terras permeáveis que se prestam muito bem à irrigação, as quais, somadas, ultrapassam mais de um milhão de hectares.

– Da zona litorânea potiguar, a partir da fronteira com a Paraíba até a fronteira cearense (com tabuleiros que cobrem distância superior a 400 quilômetros com largura que varia de duas a cinco léguas), até as ricas várzeas do Vale do Açu e as extraordinárias terras da Chapada do Apodi, cerca de um milhão de hectares se encontram inteiramente disponíveis para receber investimentos em agricultura irrigada, bastando que, para isso, o Poder Público – que tanto joga dinheiro fora com políticas paliativas ou emergenciais que apenas eternizam o problema da seca em nosso meio – se disponha a estabelecer políticas efetivas de incentivo a um empreendedorismo rural moderno, fundamentado nas tecnologias que dão certo no resto do mundo e que geram riqueza e desenvolvimento.

– Transportar água em carro pipa para matar a sede da população; ampliar a distribuição dos benefícios do “Bolsa Família”; promover reforma agrária à base da instalação de assentamentos rurais onde as pessoas ainda usam a enxada como instrumento de trabalho; contratar ONGs para construir milhares de cisternas no interior; conceder empréstimos a fundo perdido a micro e pequenos produtores com recursos do Pronaf; doar milhões de quilos de sementes; cortar terras de graça; vender milho da Conab a preço subsidiado na tentativa de salvar os rebanhos… nada disso irá mudar a trágica realidade do nosso semiárido.

– Só não vê quem não quer… ou quem prefere continuar usufruindo das vantagens eleitorais que a manutenção do nosso povo na miséria proporciona a políticos corruptos e desavergonhados.

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