Tag Archives: sustentabilidade

O Centro de Inovação e Sustentabilidade do Semiárido (CIIS)

O Centro de Inovação e Sustentabilidade do Semiárido (CIIS) é um projeto de extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A iniciativa tem o objetivo de ser um espaço de desenvolvimento de pesquisas relacionados ao semiárido nordestino, mais especificamente com estudos no Rio Grande do Norte e que contribuam para uma maior sustentabilidade de atividades produtivas localizadas na área rural.

O projeto Centro de Inovação e Sustentabilidade do Semiárido (CIIS) funciona na zona rural do município de Caiçara do Rio do Vento (RN) a 100 km de Natal.

O projeto se justifica por buscar aproximar pesquisadores com o meio ambiente, economia e sociedade do sertão do Rio Grande do Norte, região essa que apresenta características especiais, merecendo atenção especial de pesquisas. O objetivo do CIIS é ser um espaço aberto para vários pesquisadores imaginarem pesquisas e atividades de ensino e extensão que contribuam para o desenvolvimento sustentável.

A aproximação com o sertão implica em organizações e pesquisadores identificarem o que pode ser pesquisado de modo a se promover uma maior sustentabilidade ambiental, econômica e social no sertão.

Espera-se que o desenvolvimento das pesquisas no CIIS colaborem para o desenvolvimento de atividades empreendedoras relacionadas ao desenvolvimento sustentável social, econômico e ambiental, iniciativas essas urgentes de serem pensadas no contexto atual no qual se observam os efeitos de estiagem, desertificação, mudança climática e desestruturação dos processos produtivos.

Mais informações podem ser obtidas através do telefone 84 99986-9173 com o professor Julio Rezende do Departamento de Engenharia da Produção (UFRN) ou pelo e-mail: juliofdrezende@hotmail.com.

Gerenciamento de descartes deixa empresas potiguares mais competitivas

Confira na Tribuna do Norte:

Renata Moura e Cledivânia Pereira
Repórteres e editoras

Práticas que ajudam a reduzir desperdícios e o descarte inadequado de produtos no meio ambiente “brotaram”, no Rio Grande do Norte, dentro de uma  cozinha que fornece refeições “em escala industrial” e no dia a dia de salões de beleza. O resultado veio em forma de menos custos e mais competitividade para os negócios, inseridos no setor que mais tem empresas e empregos no estado: comércio e serviços.

A busca por ações de sustentabilidade, que reduzam  impactos no meio ambiente, pode ser impulsionada no mundo dos negócios por vários tipos de necessidades. Há empreendedores que se identificam com o conceito, outros que buscam por  questões econômicas, por obrigação ou, ainda, porque querem mais competitividade e espaço no mercado. Esse último caso é o da Nutriti, uma pequena empresa potiguar que  transformou práticas do dia-a-dia para obter certificações e novos contratos dentro e fora do estado.

Diariamente, 18 mil refeições saem de cozinhas da empresa no Rio Grande do Norte para a mesa de “restaurantes populares” do governo e de outros clientes em segmentos como o hospitalar e o de construção civil.

Centenas de quilos de arroz, feijão, carne e outros alimentos são preparados por dia, com   mudanças no processo de produção que reduziram desperdícios de ingredientes, custos de produção e o descarte inadequado de resíduos. “Implantamos ações que podem parecer básicas, mas que têm feito a diferença na nossa rotina e nos nossos resultados”, diz a gerente técnica e nutricionista Umbelina Assunção.

Em uma das investidas, a empresa eliminou, segundo ela, o óleo no preparo de frituras. Como resultado, 20 mil litros do produto deixam de ser jogados no ralo, por ano, evitando contaminação de água e outros danos ao meio ambiente.

Em uma pequena empresa da área de alimentação no RN, óleo e gordura já não são jogados no ralo. (Foto: Cledivania Pereira)

Em uma pequena empresa da área de alimentação no RN, óleo e gordura já não são jogados no ralo. (Foto: Cledivania Pereira)

Os ganhos, resultados de um novo sistema de produção, vieram com a substituição de fornos convencionais por “fornos combinados”, que assam e cozinham ao mesmo tempo acelerando a produção e dispensando a necessidade do óleo no alimento. “A medida gera uma economia anual de R$ 60 mil a R$ 80 mil à empresa. Foi o que investimentos nos fornos e era o que gastávamos com óleo por ano”, estima o diretor, Martinho Ferreira.

A pouca gordura ainda gerada na cozinha é resultante do frango, mas o descarte dos resíduos da carne já não é o mesmo. Em vez de irem parar na lata do lixo, desde o ano passado eles são doados a uma organização não-governamental que processa a gordura e vende a fábricas de sabão e sabonete instaladas no Rio Grande do Norte e na Paraíba.

Investimento
Nos últimos dois anos, a empresa calcula ter investido cerca de R$ 200 mil em compra de equipamentos para melhorar a eficiência e a qualidade na produção e distribuição das refeições.

A adoção das novas práticas foi orientada por um consultor do Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e  rendeu ao negócio este ano a ISO 9001:2008, uma certificação  de qualidade na gestão. Outra certificação, a ISO 14000 – que  atesta a adoção de um sistema de gestão ambiental na empresa – está em processo de implantação e deve ser oficializada, segundo expectativa da Nutriti, até meados do próximo ano.

O diretor da empresa, Martinho Ferreira, afirma que o desembolso requerido no processo é compensado em médio e longo prazos. “Tudo o que você vai fazer para melhorias tem custo, mas um custo que você sabe que dá retorno. É um custo necessário”, diz. “E se soubéssemos antes do ganho de imagem e da redução de custos que ia nos proporcionar, teríamos feito há mais tempo”.

Apesar de não serem obrigatórias, as certificações já têm feito a diferença na disputa por mercados. “Numa licitação de determinado órgão ficamos em segundo lugar, mas acabamos vencendo porque, apesar de não termos o menor preço, nos posicionamos melhor na avaliação técnica”, diz Umbelina Assunção. “Muitas empresas já cobram essas certificações nos processos de escolha”.

Óleo de restaurante também vira sabão
Restaurantes do RN também têm demonstrado preocupação com o descarte de resíduos e, há ao menos cinco anos, dão um destino final diferente ao óleo: Uma fábrica de sabão.

Cerca de 80 estabelecimentos em Natal destinam, juntos, 20 mil litros por mês do líquido a uma empresa que o recolhe, o transporta até um depósito na Paraíba, penera para retirar resíduos e traz de volta ao Rio Grande do Norte para a fábrica Guarani, localizada em Mossoró, município a 285 Km da capital.
155694
“Os restaurantes têm prazo para usar o óleo na cozinha. Quando atingem esse limite  armazenam o produto em um tambor que nós recolhemos e substituímos por outro vazio no estabelecimento”, diz Izael dos Santos, comprador e representante da RCW, empresa que realiza a coleta em Natal e nas cidades de  Salvador (BA), Maceió (AL), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Fortaleza (CE). Em Natal, diz ele, o maior volume sai das redes de fastfood McDonalds, Pittsburg e Bob´s, mas estabelecimentos de outros segmentos também participam da iniciativa. Por cada litro de óleo, o restaurante recebe uma taxa de R$ 0,50 a R$ 0,70 da empresa.

Programa
O novo jeito de destinar o produto está previsto no projeto “Papa Óleo”, desenvolvido há cinco anos pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no estado. “Temos 100 associados participando (alguns deles tem o óleo coletado por outras empresas que não a RCW)”, diz o presidente da Associação, Max Fonseca, afirmando que, antes, o destino desse produto era o ralo, “por desconhecimento ou por falta de projetos na área”. “Agora, ele tem a destinação correta”, frisa.

Cerca de 90% dos bares e restaurantes do estado, segundo ele, são micro e pequenas empresas. “A gente sempre trabalha a importância da sustentabilidade na associação, mas ela ainda não é generalizada”.

Gestão baseada em sustentabilidade é postura para grandes empresas? Implantar ações de sustentabilidade custa caro? A consultora do Sebrae-RN, Fabiana Gondim, respondeu a essas perguntas de forma prática com um novo método de trabalho que reduz desperdícios e custos de operação em um segmento formado, basicamente, por pequenos empreendedores: o de salões de beleza.

O novo método – denominado “HairSize” – foi criado por Fabiana enquanto ainda era empresária do setor. “Não sabíamos explicar qual a quantidade ideal de produto para cada tipo de cabelo. Trabalhávamos no ‘olhômetro’. Comecei então a buscar uma solução e me assustei quando descobri que, em alguns casos, havia um superdimensionamento de até 70% na quantidade de produto que deveria realmente ser usado”, observa a consultora.

Com base nas análises que fez , ela desenvolveu ferramentas que medem o tamanho, a espessura e o volume dos fios de cabelo. Com a ajuda de réguas e uma tabela o profissional descobre então a quantidade correta a ser aplicada no procedimento. “No mínimo,  conseguimos reduzir em 30% a quantidade de material usada nos procedimentos”, explica.

A metodologia nasceu no Rio Grande do Norte, onde 50 microeempreendedores foram treinados para aplicá-la, mas já chegou a vários estados do país e deve ser nacionalizada por meio do Sebrae Nacional, diz o gerente da Unidade de Tecnologia e Inovação do Sebrae-RN, João Bosco Freire Cabral. Ao todo, 300 salões de Pernambuco, Goiás, Roraima e Maranhão já participaram de consultorias na área, e no início de 2015 o projeto deve chegar também ao Rio de Janeiro.

Impacto
E para quem pensa que o impacto de boas práticas em uma pequeno salão de beleza não fazem diferença no meio  ambiente, números do setor podem ajudar a provar o contrário: até junho deste ano, o Sebrae tinha registro de 3.535 cabeleireiros no estado. O número correspondia a 16,61% do total de microempreendedores individuais no Estado e só estava atrás, em quantidade, do de comerciantes  de vestuário e acessórios. No Brasil, são mais de 240 mil salões – público em potencial em que boas práticas podem proliferar.

“Ações na área fazem diferença, sem dúvida. O salão trabalha com muitos produtos poluidores, como tintas, produtos para alisamento, entre outros. E a medida usada na hora de aplicar esses produtos era a palma da mão, sem muitos critérios. Se o cabeleireiro muda a forma de fazer isso, otimizando o uso desses recursos, ele está investindo em sustentabilidade”, analisa o gerente da Unidade de Tecnologia e Inovação do Sebrae-RN, João Bosco Freire Cabral.

Clique aqui para ver a publicação original

Pequenos negócios buscam avançar em sustentabilidade

Notícia publicada na Tribuna do Norte:

Renata Moura e Cledivânia Pereira
Repórteres e editoras

O que há em comum entre o cultivo de alface, uma pintura de cabelo, o recolhimento de entulho de construção civil, a produção de refeições e a venda de bolsas de grifes? Aparentemente, nada. Mas a resposta correta para essa pergunta está em uma palavra já muito comentada, mas com conceito ainda pouco conhecido e aplicado: sustentabilidade. As atividades citadas acima são nichos de mercado de pequenas empresas potiguares que estão implantando ações sustentáveis nos negócios. E a preocupação delas não é apenas com a preservação do meio ambiente, mas se tornarem competitivas em seus setores e expandir o  campo de atuação.

A tendência de dar a mão à sustentabilidade ambiental para garantir a viabilidade e competitividade econômica já se traduz em números no Rio Grande do Norte. Em 2013, 9% dos projetos orientados pelo SEBRAEtec no estado eram na área de sustentabilidade. Este ano, o percentual triplicou, atingindo 27%, o maior índice entre as áreas atendidas.

Os números refletem consultorias ou capacitações tecnológicas já concluídas ou que ainda estão em execução no programa, por meio do qual o Sebrae subsidia 80% da consultoria e o cliente dá contrapartida de 20%.  Só este ano, os subsídios somaram  R$  4,24 milhões, R$ 700 mil dos quais destinados a projetos de sustentabilidade. Foram 229 consultorias para projetos de licenciamento ambiental, gestão sustentável, saúde e segurança no trabalho e certificações.

Minhocas simbolizam solo revitalizado em horta orgânica: Produção abre novos horizontes no RN. (Foto: Cledivânia Pereira)

Minhocas simbolizam solo revitalizado em horta orgânica: Produção abre novos horizontes no RN. (Foto: Cledivânia Pereira)

Para 2015, a previsão é que o investimento total no programa chegue a R$ 5,5 milhões.

“O crescimento (no índice de empresas que buscaram orientação na área de sustentabilidade) comprova que a nossa estratégia está com o foco certo. São dois os motivos do crescimento: o resultado das ações de desmistificação e sensibilização desenvolvidas para a temática nos pequenos negócios e as exigências adotadas através de normas por parte das agências reguladoras e órgãos de controle”, analisa o gerente da Unidade de Tecnologia e Inovação do Sebrae-RN, João Bosco Freire Cabral.

Não há dados precisos sobre gestões de negócios que efetivamente trabalhem guiados pelos conceitos de sustentabilidade no País, mas há algumas definições sobre o tema que parecem unânimes. Um deles é o da importância das pequenas e micro empresas nessa agenda.

Conhecimento

Em 2013, o Sebrae Nacional realizou pesquisa com mais de dois mil pequenos empresários em todos os estados do Brasil para aferir o grau de conhecimento desse público no conceito.  No geral, o estudo concluiu que o tema é desconhecido, pouco aplicado na gestão e ainda visto como custo. Mas há dados bem animadores: seis em cada dez empresários ouvidos vêem na sustentabilidade uma oportunidade de ganhos para sua empresa e 77,6% atribuem elevada importância para as questões do meio ambiente.

“As pequenas e micro empresas têm facilidade por serem mais ágeis, porque as mudanças necessárias para a implantação de ações e processos sustentáveis na gestão dependem, basicamente, de uma decisão do dono da empresa. Isso é um fato positivo e que pode impulsionar todo o processo”, analisa Ricardo Voltolini, diretor da consultoria Ideias Sustentáveis e criador da Plataforma Liderança Sustentável, movimento nacional que reúne 30 presidentes de empresas em torno do desafio de inspirar e educar jovens líderes com foco em gestão sustentável.

Clique aqui para ver a publicação original

Parque das Dunas é sufocado entre o mar e o crescimento urbano

Confira na Tribuna do Norte:

Nadjara Martins
Repórter

Se observada dos céus, a imponência verdedo Parque das Dunas, segunda maior reserva ambiental do Brasil, está cercada: de um lado pela expansão imobiliária, que cria, aos poucos, uma “cortina de prédios” nos bairros de Petrópolis e Tirol. Do outro, pela ocupação irregular do solo nos bairros de Mãe Luiza e Nova Descoberta. Aos 36 anos, mais uma cerca se aproxima: a construção da via expressa da Avenida Roberto Freire, que prevê a desafetação de 4,5 hectares do parque. 

Hoje, não é possível sequer dizer qual a área atual da reserva, reconhecida pela Unesco como posto avançado de reserva da mata atlântica e patrimônio mundial da humanidade. O único levantamento da extensão da mata atlântica preservada foi feita em 1989, na elaboração do primeiro – e único – plano de manejo do parque.   O documento delimita as áreas da reserva e permite as áreas permitidas para ocupação. Previsto para ser revisado a cada cinco anos, o projeto do novo plano ainda aguarda na gaveta do Instituto de Desenvolvimento do Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema).

“Estamos recebendo recursos de uma compensação ambiental para refazer esse plano de manejo e recompôr o comitê gestor do parque”, garante o diretor geral do Idema, Jamir Fernandes, mas não informou qual data para o novo estudo. Segundo ele, o custo de um novo plano chega a R$ 500 mil.

Ampliação da Roberto Freire prevê a desafetação de 4,5 hectares. (Foto: Joana Lima)

Ampliação da Roberto Freire prevê a desafetação de 4,5 hectares. (Foto: Joana Lima)

Na primeira vez em que foi cercado, em 1977, ano da criação, o parque possuía 1.350 hectares. Na época, já era identificada a ocupação ilegal das áreas de encosta, principalmente pelo bairro de Mãe Luiza – até então uma favela. No levantamento feito em 1989, só foram registrados 1.172 hectares.

A discrepância, segundo a atual administradora do parque, a bióloga Mary Sorage, pode ter significado perda de área para ocupação humana – ou não. “Pode ter significado perda, mas eu acredito que era só uma diferença que tínhamos em termos de tecnologia. Era questão de equipamentos. Eu acredito que o contorno não mudou”, afirma.

Entretanto, a pressão para uso das áreas que contornam o parque é latente. Na Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) tramitavam, até a última quinta-feira (3), 429 processos para reforma ou novas construções a um raio de um quilômetro da área do parque. Somente dos quatro bairros que contornam a reserva – Tirol, Mãe Luiza, Nova Descoberta e Petrópolis – são 185.

De acordo com ambientalistas e especialistas em urbanismo, a falta de informações atuais sobre o estado do parque aliado à pressão pela ocupação preocupam.

“Já é um problema termos espaços de preservação ambiental fragmentados, então qualquer tipo de intervenção pode trazer um impacto no parque a longo prazo, principalmente na preservação dos genes das espécies”, afirma a arquiteta e urbanista Rosa Pinheiro, especialista em gestão ambiental. “A área protegida é como o coração da mata”, emenda.

Insegurança


De acordo com o major Carlos Leão, comandante da Companhia Independente de Proteção Ambiental da Polícia Militar (Cipam), houve uma redução de 85% nas ocupações irregulares no parque desde a reinauguração, em 1999. 

“O parque é uma barreira natural entre a cidade e a via costeira, mas não temos como controlar todas as pessoas. O que fazemos diariamente é o monitoramento das trilhas”, defende Leão. Somente na semana passada foram apreendidas três armas em Mãe Luiza, próxima a área do morro. Existem três trilhas de acesso público e outras dez de uso da PM. 

No morro, assim como na Via Costeira, não existe mais barreira física para conter o acesso da população. Na Dinarte Mariz, toda a estrutura de ferro e concreto foi corroída pela maresia. O Idema ainda está elaborando um novo projeto de cerca-viva, que resista às intempéries.

Clique aqui para ver a publicação original

Projeto fotovoltaico cresce e busca Selo Solar no RN

Notícia publicada no Jornal da Energia:

Por Natália Bezutti

O projeto do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) para implantação de sete plantas fotovoltaicas em cinco campos diferentes no Estado, totalizando 507kWp, acaba de contratar mais uma planta de 100kWp e pleiteia recursos do Ministério da Educação para outras seis usinas da fonte.

“Recentemente o campus Natal Central, nossa unidade mais antiga, contratou uma UFV de 100kWp. Na semana passada foi realizada a coleta dos dados necessários para elaboração do projeto”, explicou engenheiro eletricista Franclin Robias.

O projeto inicial recebeu investimentos do MEC da ordem de R$1,6 milhão, e previa a conclusão das plantas para março deste ano. No entanto, das sete usinas, três estão em funcionamento, sendo a da reitoria 56,4 kWp; campus Ceará-Mirím e São Paulo do Potengi, ambas com 112,8kWp cada.

“Estamos buscando cumprir os requisitos para necessários para receber o Selo Solar. Monitoramos à distância nossa geração fotovoltaica, via internet, porém essas informações estão restritas à rede corporativa do IFRN, por motivo de segurança. Nossa equipe está trabalhando para importar os dados para o site do instituto, o que tornará pública a informação, e cumprirá um dos requisitos para o Selo”, contou Robias.

Foto: junitec.ist.utl.pt

Foto: junitec.ist.utl.pt

Segundo ele, ocorreram atrasos por motivos técnicos nos campus de Canguaretama e Currais Novos, que serão de 112,8kWp cada. Ambos receberam aprovação da Cosern, distribuidora local, e aguardam a solicitação do IFRN para conexão, que é esperada para até o final de julho.

Já os campus de Parelhas e Lajes, que serão de 50kWp cada, a entrega está prevista para outubro.

O engenheiro ainda adiantou que, em parelelo, o instituto iniciou um projeto para aquisição de três aerogeradores, de 100 ou 200kWp, que deverão ser instalados em três outros campus.

 Clique aqui para ver a publicação original

Barcos de PET são entregues a pescadores de Areia Branca

Saiu no jornal De Fato:

Quatro embarcações do tipo catamarã, fabricadas com produtos recicláveis e confeccionadas por pescadores e marisqueiras das comunidades de Ponta do Mel e Redonda, no município de Areia Branca, foram entregues na última sexta-feira (06), em evento que marcou a inauguração dos Projetos de Responsabilidade Socioambiental para as comunidades.

As embarcações foram equipadas com os materiais necessários para navegação, bem como registradas junto a Capitania dos Portos.

O projeto é de responsabilidade socioambiental das Eólicas Mar e Terra e Bela Vista, onde participaram como executores as empresas Bioconsultants – Consultoria em Meio Ambiente e Recursos Naturais e a MS Renováveis, em parceria com a OAK Ambiental.

A confecção dos barcos foi resultado de um curso ministrado à comunidade pesqueira, tendo como matéria prima principal garrafas PET.

As técnicas compartilhadas no decorrer do curso permitirão aos alunos a confecção de outros objetos como mobiliários, por exemplo, utilizando o mesmo tipo de matéria prima.

Foto: divugação

Foto: divugação

Além de alavancar a atividade pesqueira, essas embarcações poderão ser utilizadas para a realização de passeios aproveitando, assim, o potencial turístico da região.

O projeto, que recebeu o apoio institucional do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia – CERNE, inclui também uma Biblioteca com 710 livros e um Espaço Digital no Centro de Convivência da Família, equipado com tecnologia de última geração. O objetivo é fomentar o acesso ao conhecimento, por meio da inserção à leitura e à inclusão digital.

clique aqui para ver a publicação original

Parnamirim está entre as 100 cidades mais sustentáveis do Brasil

Notícia publicada no blog Visor Político por Alex Viana:

Parnamirim foi escolhida pela Associação Nacional de Prefeitos e Vices (ANPV) como uma das 100 cidades mais sustentáveis do Brasil em 2013.

Litoral da cidade de Parnamirim. (Foto: www.camaradeparnamirim.com.br )

Litoral da cidade de Parnamirim. (Foto: www.camaradeparnamirim.com.br )

A entrega da premiação será hoje (27), no auditório do Senado Federal, em Brasília (DF). O secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, Rogério Santiago, irá receber o prêmio representando o prefeito Maurício Marques.

 

O secretário ressaltou que a cidade tem experimentado nos últimos anos um crescimento acelerado, mas sem descuidar do planejamento e da preocupação com a sustentabilidade.

“Parnamirim cresce rápido, em todas as áreas, atraindo as pessoas pela qualidade de vida que oferece à população. Para dar conta dessa demanda que acompanha esse crescimento populacional, urbano e econômico, o município tem se preocupado principalmente com a melhoria da sua infraestrutura”, comentou.

A ANPV selecionou, inicialmente, 500 cidades. Dessas, 100 foram escolhidas em função dos seus projetos de sustentabilidade. Os critérios avaliados foram educação ambiental, valorização do meio ambiente e estudos de combate às drogas no âmbito municipal.

Clique aqui para ver a publicação original

Em Rio do Fogo, pesca artesanal do polvo é alternativa sustentável

Notícia publicada na Tribuna do Norte:

assa do meio dia quando as paquetes – pequenas embarcações usadas na pesca – atracam na praia. O retorno é mais rápido que o habitual e vem novidade também na carga. Em vez da lagosta, que por décadas foi o fruto mais cobiçado das águas de Rio do Fogo, no litoral Norte potiguar, um molusco ganha status de prato principal: o polvo. E a mudança não se restringe ao produto. O formato e a percepção de uma atividade perpetuada através de gerações também  evoluem para tornar-se sustentável.

A pesca artesanal antes feita por mergulho é, aos poucos, substituída por pequenos potes de  polietileno depositados, estrategicamente, no mar. O método é fruto de  projeto de pesquisa desenvolvido por biólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte junto a população nativa.

O município distante 79 quilômetros de Natal e de pouco mais de 10 mil habitantes é o maior produtor de polvo do Estado. Por ano, em média, são produzidas 82 toneladas, segundo estimativas do Ibama que monitorou a produção estadual até 2011.

A drástica queda do rendimento da pesca da lagosta, imposta por restrições ambientais e durante o defeso, somada à necessidade de sustento em períodos de “água suja” – jargão usado para o mar bravo ou quando a chuva e os ventos tiram a visibilidade da água -, explica a bióloga responsável pelo projeto Lorena Cândice de Araújo Andrade, fez do experimento científico uma alternativa viável e rentável, superando a desconfiança inicial dos caiçaras.

A pesca artesanal do polvo é fruto de projeto de pesquisa desenvolvido por biólogos da UFRN junto à população nativa de Rio do Fogo. (Foto: Alex Régis)

A pesca artesanal do polvo é fruto de projeto de pesquisa desenvolvido por biólogos da UFRN junto à população nativa de Rio do Fogo. (Foto: Alex Régis)

“Quando começou não tinha fé que funcionasse. Como jogar um pote traz o polvo? Mas tem sido a melhor opção para nós, nessa época de mar bravo e sujo, que vai de maio até agosto, sem falar no defeso”, frisa o pescador  Geraldo  Rodrigues do Nascimento, de 45 anos, que conta que na primeira despesca teve um rendimento em  80% dos apetrechos.

O período de defeso do crustáceo, de janeiro a abril, coincide com a época melhor pesca do polvo em função das águas limpas, explica a bióloga, e se prolonga ao período de chuvas e ventos, impedindo a pesca. “Se não fosse o projeto, estaríamos em dificuldade, só com a pesca de peixe, que não é o nosso ramo”, completa João Batista dos Santos Ferreira, de 47 anos. O quilo do polvo vendido na região, pelos pescadores, varia entre R$ 13,00 a R$ 22,00.

Os potes revestidos com cimento e amarrados ao espinhel funcionam como abrigos que atraem os animais para o interior, onde se alojam e são capturados quando a corda é içada. A pesca é feita a cerca de 8 metros de profundidade, em campo de cascalhos.

O procedimento, observa os trabalhadores, é menos cansativo e arriscado do que “descer (mergulhar) de peito livre e uma garantia já que não consegue mais a lagosta como antes”, afirma Geraldo.

O sistema foi introduzido na comunidade há cerca de um ano, e a coleta é feita a cada 15 dias, devido o baixo número de equipamentos. O projeto é desenvolvido com cerca de 20 pescadores artesanais e conta com 400 potes.

A ampliação esbarra em dificuldades financeiras. “Se tivéssemos uma linha de crédito para compra de potes e corda, poderíamos aumentar a produção e  a renda, sem falar no respeito a natureza”, frisa João Batista. Cada pote é adquirido ao custo de R$ 3,00 a R$ 5,00, sem contar os custos com a corda e cimento. Em meio a falta de recursos, muitos pescadores inovam com a confecção dos artefato, à base de garrafas pet e de telhas.

Controle garante preservação

A difusão do conhecimento e da preservação do meio é o mais importante, na avaliação da bióloga. A preocupação é ainda maior porque a região de Rio do Fogo está inserida em Área de Preservação Ambiental (APA). “Não há como pensar desenvolvimento de um atividade econômica sem melhorar a vida das comunidades e sem garantir a preservação do meio”, disse.

Para garantir reservas futuras e manter a posição de principal produtor, somente os moluscos a partir de 600 gramas  são depositados na embarcação. Abaixo do tamanho e peso recomendados são devolvidos ao mar. Isso impede que animais pequenos ou fêmeas que ainda não reproduziram sejam abatidas.

O cuidado, explicam eles, é resultado do trabalho de educação ambiental difundido pelos pesquisadores para garantir a reposição da espécie.  “Se a gente não fizer assim, vai acontecer o mesmo que ocorreu com a lagosta, vai sumir”, alerta o pescador Josimar Clemente de Oliveira, mais conhecido como Mano. O pescador continua com a pesca por mergulho, alternando com as idas a coleta nos potes, mas passou fazer a seleção do produto que pode ser retirado para comercialização e sustento. “Não era pesca sustentável”, conclui.

Molusco é facilmente negociado

Até bem pouco tempo atrás, o polvo era mercadoria secundária pescado apenas quando encontrado durante a pesca artesanal da lagosta. Hoje, atravessadores e consumidores se posicionam na praia para a escolha do produto fresco, que é rapidamente negociado e segue para abastecer, sobretudo a rede hoteleira e de restaurantes no Ceará, Alagoas e Pernambuco.

Com a escassez da lagosta, o polvo que era tido como “fauna acompanhante” tem um forte papel para a sobrevivência e crescimento da região, explica a bióloga Lorena Candice de Araújo Andrade, cujo projeto de doutorado em ecologia é a alternativa sustentável à pesca do crustáceo, testada em Rio do Fogo.

O polvo encontrado na costa potiguar é diferente do cultivado na região Sul do país. Em Rio do Fogo, a espécie octpus insularis está sendo catalogada e analisado o potencial para exploração comercial e consumo. O trabalho envolve o aspecto socioeconômico e ambiental, com o mapeamento da atividade pesqueira e análise da cadeia produtiva para transformar modelos tradicionais de atividades em negócios sustentáveis.

Com base nesses estudos, explica o pró-reitor de pesquisa da UFRN, Valter Fernandes, a ideia é fomentar subsídios para as comunidades pesqueiras da região, promover desenvolvimento sustentável e racional do recurso natural.

A pesca com potes, prática recorrente na costa de países europeus, foi testada em Rio do Fogo com coleta (idas ao mar para recolher os animais) a cada sete, 15, 21 e 28 dias e em todos eles houve aproveitamento média de 10% de cada espinhel, com cerca de 60 potes cada um, detendo um a dois polvos. “Não é tão rentável quanto o modelo convencional, à mergulho”, admite a bióloga.

Contudo, o resultado é considerado positivo uma vez que  a pesca não é induzida, sem uso de iscas e produtos químicos que contaminem o mar. “Se feita em grande escala, digamos com mil a 10 mil potes, 10% é boa produção”, afirma.

Clique aqui para ver a publicação original

Natal será palco do “Nordeste 2030”

Notícia publicada no portal Nominuto.com:

Natal será o palco para estreia do “Nordeste 2030: Fórum Internacional de Métricas Para a Sustentabilidade”. O evento acontece nos dias 14 e 15 de agosto, no auditório Lavoisier Maia, do Centro de Convenções, em ação conjunta da Sudene e do Governo do Estado, com apoio do instituto WWI-Worldwatch Institute – referência mundial em sustentabilidade e responsável pela elaboração de relatórios anuais usados por governos, universidades e organismos internacionais, a exemplo das Nações Unidas.

Foto: www.nahorah.ne

Foto: www.nahorah.ne

Esta semana, o diretor da WWI no Brasil e demais países de língua portuguesa, Eduardo Athayde esteve em Natal ciceroneado pelo secretário de Estado do Turismo, Renato Fernandes. Participou de encontros e obteve audiência junto à governadora Rosalba Ciarlini para comentar o projeto do Fórum. Até então, Natal disputava com Fortaleza a possibilidade de sediar o evento. “Devemos muito ao esforço do secretário Renato Fernandes esta vitória para Natal e o esperado sucesso do Fórum”, comentou Athayde.

Para o executivo, o “Nordeste 2030…” abrirá um debate em dimensão inovadora da sustentabilidade focado nas métricas, ou seja: transferir as metas da sustentabilidade para teorias concretas em benefício à sociedade. “Isso diz respeito à valorização da marca do Estado. A marca da Petrobras vale hoje R$ 19 bilhões. Quanto vale a marca do Rio Grande do Norte? Cidades, estados, localidades do mundo estão estabelecendo valor para suas marcas para melhor competir por investimentos e turistas”, disse.

No evento serão apresentados estudos de caso exitosos de outras partes do mundo. Contará com a presença de investidores nacionais e internacionais, incluindo executivos do Principals of Responsable Investiments (PRI), abraçados pela ONU e que possuem, no conjunto de seus ativos, 33 trilhões de dólares (mais do que um terço do PIB mundial). Enrique Iglesias, que foi presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) por quase duas décadas, confirmou participação.

O público alvo do Fórum são líderes empresariais, políticos, o setor acadêmico e comerciantes de médias e pequenas empresas. “Eventos do tipo são realizados no mundo inteiro. O Nordeste tem enorme potencial, embora percebido pela velha política econômica insustentável e exportada sem valor agregado”, concluiu Eduardo Athayde. Ao fim do Fórum, as capitais nordestinas apresentarão suas candidaturas para o evento de 2014.

Clique aqui para ver a publicação original

 

Certificação orgânica fomenta negócios no RN

Saber que um produto respeita o meio ambiente nunca foi um fator tão decisivo na decisão do consumidor. Diante do potencial desse mercado crescente, empresas dos mais diversos ramos têm trocado o modelo de produção convencional pelo orgânico. Mesmo que timidamente, o Rio Grande do Norte avança no sentido de certificar negócios como ambientalmente sustentáveis. O processo demanda tempo e preparo, porém as experiências comprovam o quanto a adoção de práticas de responsabilidade ambiental pode fazer a diferença em aspectos como inovação, credibilidade e qualidade de um produto.

Apesar do baixo número de empresas potiguares com certificação, RN tem perspectivas animadoras para um futuro próximo. (Foto: Diário de Natal)

No Brasil, o mercado de produtos orgânicos movimenta em torno de R$ 400 milhões, valor que pode dobrar até 2014. No território potiguar a certificação orgânica começa pelas hortaliças do município de Nísia Floresta, viaja até o Seridó na produção de cachaça artesanal, desce até a fruticultura da cidade de Serra Negra do Norte, mas também sobe em direção ao Vale do Apodi, onde estão bem sucedidas produções de arroz vermelho. “Basicamente a diferença do orgânico para o convencional é a não utiilização de produtos químicos na produção. Isso é o que vem mais à tona quando o consumidor vê o produto”, explica a analista técnica do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/RN), Honorina Eugênia de Medeiros.Adquirido junto a empresas certificadoras como o Instituto Biodinâmico (IBD), o selo orgânico é um investimento motivado tanto pela tomada de consciência das empresas quanto ao respeito pela natureza, quanto pelo crescimento no consumo de produtos saudáveis. “Quando uma empresa certificadora acompanha o processo ela não vê só a parte produtiva, como toda a questão de responsabilidade em relação ao meio ambiente e no respeito ao ser humano”, afirma Honorina, detalhando que por trás do selo estão também questões trabalhistas e de preocupação com o funcionários.

Apesar de considerar baixo o número de empresas potiguares com a certificação, a analista técnica do Sebrae/RN tem perspectivas animadoras para um futuro próximo. ”O que percebemos é o mercado aberto. Existe uma demanda por esses produtos”, comenta. Mesmo encontrando bem seu público, a produção orgânica ainda tem desafios para se disseminar. O custo dos produtos ainda fica acima dos convencionais, o que apesar de representar uma barreira, é totalmente justificável na avaliação de Honorina Medeiros. A diferença de preço encontra explicação nos custos mais elevados para se manter uma produção orgânica. O valor financeiro para se adotar práticas sustentáveis nos negócios se apresenta como empecilho, sobretudo para pequenos produtores adotarem as práticas ambientalmente sustentáveis. Como forma de amenizar essas dificuldades, instituições como Sebrae/RN, o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RN), o Ministério Público Estadual, entre outros parceiros, têm estimulado a atividade com apoio técnico e financeiro.

Selo leva cachaça potiguar ao exterior

Quando decidiu encarar o desafio de certificar a cachaça Extrema, o engenheiro agrônomo e empresário Anderson Faheina pensou em inovação. “A fim de diversificar os itens da fábrica viu que seria interessante investir em um produto orgânico certificado”, explica. O processo não foi dos mais simples. Apesar da cachaça àquela altura já ser produzida sem produtos químicos, foram necessários dois anos para que a Extrema pudesse estampar o selo do IBD em seu rótulo.
Anderson não se arrependeu nem um pouco do esforço. “O benefício maior é a diferenciação, alcançamos novos mercados com a certificação e isso melhorou o faturamento”, acrescenta. Com o selo do IBD a Extrema lançou um novo produto do mercado, diferenciado até mesmo no design. “Potencializamos o fato de ser orgânico”, observa. Atualmente a comercialização de 10% da produção no mercado externo  é totalmente creditada à cachaça certificada. O produto também encontra apreciadores dentro do Brasil.

De acordo com o empresário, esses consumidores estão em nichos específicos e podem ser encontrados, por exemplo, em feiras especializadas. O destaque no mercado externo surge devido a maior consolidação da “cultura orgânica” no exterior. Entretanto, o produto também tem o custo diferenciado. É 30% mais caro que o tradicional, se igualando ao preço da cachaça envelhecida, a mais nobre no mix de produtos da Extrema. “Uma garrafa de meio litro da orgânica custa R$ 22, enquanto a tradicional fica por R$ 14”, detalha.

Também produzida em uma cadeia produtiva totalmente orgânica, a cachaça Samanaú, produzida na cidade de Caicó, no Seridó, adota uma estratégia diferente da Extrema. O selo orgânico é colocado em todas as garrafas sem diferenciação. “Desde nossa fundação, há oito anos, nuca utilizamos produtos químicos na plantação ou composição. Usamos apenas leveduras naturais”, conta o proprietário Vidalvo Dadá Costa. Com seis anos de produção, veio a ideia de transformar o produto em cachaça orgânica com selo do IBD. “No mundo inteiro eu vi a valorização dos produtos orgânicos em vinhos, conhaques e outros. Isso me despertou”, lembra. Os custos pesam? “É insignificante diante do benefício que traz para a população e para o empreendimento”, conclui o empresário.

Pioneirismo nas hortas

“O convencional se preocupa com a planta, se utilizando de adubos químicos que aumentam a produção, mas provocam desequilíbrio e ficam suscetíveis às pragas. O orgânico está preocupado com o solo. A planta se desenvolve de maneira equilibrada e a praga não consegue quebrar essa cadeia”. Assim, o empresário Marcos de Sena explica a opção adotada para suas hortaliças. Enquanto a produtividade das hortaliças cresce com o tempo, a do convencional despenca com o uso de agrotóxicos.
Pioneiro na produção orgânica dentro do setor de hortaliças, o empresário Marcos de Sena, proprietário da Hortaviva, se interessou pelo assunto em 1995, quando assistiu a uma palestra sobre como tornar o sítio lucrativo. “A proposta era fazer algo diferenciado, além do convencional e sem precisar de grandes áreas. Ninguém tinha muito conhecimento, nem mesmo as certificadoras”, recorda.

Quando adotou a produção orgânica na Hortaviva, o empresário tinha os produtos devolvidos pelo antigo supermercado Sirva-se. “O norte-rio-grandense e nordestino não tem muito hábito de comer orgânico. Eu mandava cinco rúculas e voltavam três ou quatro”, afirma. O natural crescimento de Natal aos poucos foi trazendo as hortaliças para a alimentação diária. Foi quando as perspectivas melhoraram e o produto orgânico começou a se encontrar no mercado. “Era uma alternativa para quem queria consumir um produto saudável e sem agressão ao meio ambiente”, explica.

Enquanto isso, a Associação de Agricultura Orgânica montada por ele no RN morria pelo desinteresse dos produtores. Foi nesse mesmo ano, em 2004, que a Hortaviva decidiu iniciar o processo de certificação com o IBD. “É um investimento no qual é preciso pesquisar e ter paciência. Não é receita de bolo”, diz. As mudanças no mercado consumidor desde então criaram uma inversão no negócio de Sena. Se antes as hortaliças voltavam, hoje não são suficientes para atender à demanda.

O empresário reforça que o clima do estado não favorece a produção, uma das razões pelas quais a Hortaviva não consegue aumentar a produção. “Abrimos um mercado, mas o mercado também se abriu. Se conseguíssemos produzir um mix maior atenderíamos”, comenta Sena, que produz em dois pólos, nos municípios de Nísia Floresta e Jandaíra. De lá saem alface, almeirão, escarola, alho poró, berinjela, entre outros produtos que abastecem o mercado potiguar.

Sustentabilidade se dissemina

Por demandarem uma transição mais simples em direção ao orgânico, as hortaliças são maioria entre os produtos orgânicos encontrados no Rio Grande do Norte. Nos municípios de Touros e Mossoró, cooperativas de agricultores já adotaram a prática em suas pequenas lavouras. Nas duas cidades os produtores se utilizam da Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), tecnologia social que se utiliza de uma horta circular para produzir diferentes tipos de hortaliças dentro de um modelo de agricultura sustentável.

As famílias se apropriam da tecnologia prioritariamente para uma produção de subsistência. Entretanto, o excedente da produção é comercializado em feiras agroecológicas, gerando renda para aos pequenos produtores. Embora não tenham um selo do IBD, os agricultores familiares se certificam junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa). Para isso passam por todo um processo de capacitação e acompanhamento.

A analista técnica do Sebrae  Honorina Medeiros faz a ressalva de que diferentemente da certificação com o selo, os produtores só podem comercializar as hortaliças dentro das feiras agroecológicas. A medida visa a manutenção do controle por parte do Mapa. No caso das empresas que possuem o selo IBD, a produção também é rastreada pelo Mapa, no entanto, é feita a partir do acompanhamento com as empresas, que precisam registrar todos os processos da cadeia produtiva.

Tradição em negócio Como em muitas regiões de periferia nos centros urbanos, a comunidade do Gramorezinho, na Zona Norte de Natal, é mais conhecida aos olhos de fora pela violência do que por sua tradição e história. Poucos sabem, mas é das centenas de hortas cultivadas na região que sai a maioria das hortaliças consumidas diariamente pelos natalenses. “É uma tradição passada por gerações na comunidade”, afirma Didi, apelido pelo qual é mais conhecido o agricultor José Vieira, 46 anos.

Didi é componente de uma das 120 famílias que estão sendo capacitadas para produzir hortaliças orgânicas. O projeto foi iniciado com a assinatura de um contrato no último dia 5 de junho com a Petrobras, que contribuirá com um patrocínio de mais de R$ 1 milhão. O Ministério Público, Sebrae e Emater são outros parceiros. “Ganham os agricultores e o mercado, que receberá um produto de mais qualidade”, ressalta Jarian Gomes, presidente da Associação de Amigos e Moradores do Sítio Gramoré e Adjacências (Amigs).

Estima-se que 514 pessoas sejam beneficiadas no projeto. Atualmente os produtores vendem suas hortaliças a atravessadores, que lucram cerca de 80% na revenda. Jarian Gomes conta que um “mói” – cerca de dois pés – de coentro chega a ser vendido por R$ 0,15 a terceiros. Isso quando a produção não se perde, como explica Didi. “É tanta produção que às vezes jogamos no mato”, revela o agricultor. Quando o processo de transformação das hortas for concluído, a expectativa é que a comunidade possa vender os produtos orgânicos diretamente para o mercado.

Por ser margeada por algumas lagoas, a comunidade Gramorezinho tem um alto potencial para o cultivo. No projeto os produtores foram cadastrados e as áreas produtivas mapeadas. Em breve deve ser iniciada a fase de capacitação técnica e gerencial dos agricultores. A transição do modelo convencional para o orgânico ocorrerá em etapas, voltando inicialmente 20% da produção para as hortas orgânicas.

Arroz vermelho  No último dia 7 de junho a certificação orgânica chegou ao setor de fruticultura. Um grupo de pequenos produtores de goiaba e acerola da comunidade Frutuoso, no município de Serra Negra do Norte, na região Seridó, leva o selo do IBD em seus produtos. A fruticultura orgânica veio em um projeto desenvolvido pelo Sebrae para substituir o cultivo do feijão verde no vale do rio Espinhara, em Serra Negra do Norte. Foram contempladas dez famílias, que receberam consultoria tecnológica para implantação de práticas de manejo orgânico.

O engenheiro agrônomo e consultor técnico da Cooperativa de Serviços Técnicos do Agronegócio (Coopagro), José Flávio Brito, conta que foi identificado um uso indiscriminado de agrotóxico na região. Com orientação, os produtores adquiriram uma nova mentalidade, e em 2010 foi dado entrada no processo de certificação do IBD, com o selo sendo adquirido no fim do ano passado.
Do Vale do Apodi vem outro grupo de produtores certificados. Agricultores do assentamento Lagoa do Saco, na zona rural de Felipe Guerra, enxergam um futuro promissor com o cultivo de arroz vermelho orgânico. As elevadas qualidade e produtividade das variedades de arroz (MNA 901 e MNA 902) plantadas, além da perda reduzida, são alguns dos benefícios encontrados na região.

De acordo com dados do projeto, as novas variedades apresentam perda média de apenas 30%, enquanto as demais variedades cultivadas originam perda superior a 40%.