Concessionária de água e esgoto diz que vai sanear 80% do RN até o fim do governo

8 de março de 2012

Com graduação em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e especialização em Avaliação e Perícia de Imóveis pelo Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (IBEC), o Yuri Tasso Queiroz Pinto possui grande experiência na área de obras, uma vez que atuou por 16 anos como secretário municipal de Obras em Mossoró. O currículo do novo diretor-presidente da Caern inclui ainda o cargo de cargo de coordenador de Obras da Carteira Imobiliária do IPE (atual IPERN), onde atuou por quatro anos.

Yuri Pinto informa que a Caern hoje tem 17 projetos de saneamento em andamento e a executar no Rio Grande do Norte, nos segmentos de abastecimento de água e esgotamento sanitário, que representam investimentos de R$ 373,7 milhões, sendo que R$ 60,8 milhões são de contrapartida do Estado. Ele diz que as obras de rede de esgotos estarão prontas entre abril deste ano e dezembro de 2013.

Que projetos a Caern tem em andamento em Natal?

Nós temos projetos na área de águas e esgotos, como o atendimento de água é bastante satisfatório em Natal, nós podemos levar em relevância os projetos de esgotamento sanitário em Capim Macio, que já está parte dele tratado, San Vale está para se iniciado e aguarda apenas a liberação de recursos, temos também as obras de esgotos do Planalto e a bacia fk que compreende as Quintas, Felipe Camarão e Guarapes. Nós estamos investindo bastante ultimamente, como o o plano que nós temos investimos até o momento R$ 346 milhões, nós precisaríamos o dobro disso para ter o município de Natal 100% saneado. Nós estamos fazendo gestões a fim de que possamos angariar esses recursos em órgãos e fontes diferentes de financiamento, através de empréstimos, do Orçamento Geral da União (OGU), participação do próprio município e da própria Caern.

Qual a meta do governo Rosalba Ciarlini (DEM) nas obras de saneamento e esgotamento sanitário no Rio Grande do Norte?

Em todo o Estado, temos uma meta de cobrir 80% de área a ser atendida até o fim do governo, incluindo Natal. Já temos muita coisa em andamento que nos dá  esperança de atingir essa meta.

Mas o poder público tem um passivo muito grande a recuperar nessa área de saneamento?

As linhas de financiamento no Brasil para esgotamento sanitário ficaram fechadas durante muito tempo, mas começaram a se abrir maciçamente ultimamente.  Quem tem capacidade de buscar recursos, pode ir nessas linhas de financiamento que citamos anteriormente, então estamos  correndo atrás disso, porque existem recursos para o Estado, os municípios e também para a empresa.

A Caern hoje tem capacidade financeira para buscar recursos nessas linhas de crédito?

A Companhia tem mostrado um certo equilíbrio ultimamente, e a gente tem conseguido recuperar essa credibilidade no primeiro ano da administração da governadora Rosalba Ciarlini, que tem nos garantido o aporte de contrapartidas, o que nos garante os investimentos, que ficaram muito tempo enganchados por falta de contrapartidas, mas a gente tem conseguido e colocado essas obras para andar.

Em alguns bairros foram construídas rede de esgotos, mas porque ainda não ocorreu a ligação das residências a essa rede, o que falta para que isso comece a  funcionar?

Nós tivemos alguns tipos problemas, alguns deles com relação ao Ministério Público que decidiram interver nas soluções adotadas, que não tinham erros, falhas de projetos, não tinha nada, mas vamos dizer assim,  não eram simpáticas aos olhos da Promotoria Pública, como a questão do emissário submarino e as exigências que começaram a surgir em virtude da presença do Ministério Público, algumas saudáveis e outras nem tanto, mas a gente vem conseguindo conciliar e conviver harmonicamente com as solicitações da Promotoria Pública. Essas obras não funcionam em parte, Mãe Luiza, por exemplo, está funcionando, o problema é que a população é muito carente, não tem instalação dentro de sua casa, a gente precisa fazer as ligações internas das residências, porque muitas famílias não têm recursos suficientes para ligar o seu sistema a rede de esgotos, às vezes o esgoto é uma telha debaixo de uma pia, ai a gente não consegue ligar ao sistema existente, mas o sistema está funcionando. No Candelária estamos com o sistema sendo implantado, nós tínhamos uma obra a ser feita que era a construção de uma estação elevatória, para que o esgoto fosse encaminhado ao Baldo, a priori não tinhamos onde lançar, mas com essa ETE podemos lançar o esgoto, infelizmente não apareceu nenhuma empresa interessada em fazer a obra, que era de R$ 500 mil. Acho que os preços não estavam atrativos, mandamos recompor os novos preços de construção em nível do Sinape que é o preço que os tribunais consideram corretos e vamos promover nova licitação para a obra, que vai levar uns quatro meses para ser concluída, na rua Antonio Basílio, em Dix-Sept Rosado. Além da Candelária que estamos correndo para colocar para funcionar, temos Nova Descoberta e Morro Branco, uma obra conveniada com a Caixa Econômica que precisou de adequações e anuência do agente financiador, estamos retomando os serviços, é obra para funcionar neste primeiro semestre, porque falta só montar as bombas em pequenos trechos do emissário.

E com relação as obras de esgotamento sanitário da Zona Oeste?

Essa rede vai ficar ligada com a Zona Sul, que tinha o problema do emissário submarino, que tecnicamente falando seria a melhor solução, mas não era a mais simpática, porque o nome que foi adotado emissário de Ponta Negra, todo mundo achava que ia contaminar a praia. Mas como funciona isso, joga-se o esgoto tratado no rio, tratado no rio, que vai para o mar, então o meu condutor é o rio, se eu conduzo pelo tubo é melhor que jogar os dejetos no rio. Então o emissário nada mais é do que uma forma de conduzir a um determinado ponto, que é melhor do que lançar num corpo hídrico, como a Zona Sul não tem rio que favorecesse esse lançamento encontrou-se a solução do emissário submarino, que embora fosse a mais eficiente era a mais cara. A Promotoria incorporou essa luta e obrigou a Companhia a encontrar outra solução, que incorporou a necessidade da Zona Oeste, que é de fazer outro tipo de tratamento, não mais de ordem secundária, mas terciária, semelhante a Estação de Tratamento de Esgotos do Baldo, que será feita nos Guarapes, que atenderá as Zonas Sul e Oeste e mais uma parte de Parnamirim.

O que falta, então, para o início das obras da ETE do Guarapes?

Como nós tínhamos recursos já garantidos para a construção do emissário submarino, os recursos foram perdidos, não conseguimos transferir os recursos para essa outra solução. Então fomos ao Ministério das Cidades  para arranjar recursos para a ETE do Guarapes, que se mostrou favorável porque já tinha alocado parte dos recursos para a execução das redes e não tinha mais para onde jogar essa rede coletora por causa do descarte do emissário submarino. Conseguimos a anuência do Ministério das Cidades que conseguimos viabilizar agora, em fevereiro, a construção da obra por etapas, onde a Zona Sul provisoriamente lançará os esgotos na estação baseada em Ponta Negra, que vai ter o atual sistema de estamento sanitário ampliado para receber também os esgotos do San Vale e Capim Macio. Iniciaremos a primeira etapa da ETE do Guarapes para pegar os esgotos do Planalto, que já está com todo o material comprado, as obras licitadas e aguardando iniciar os serviços porque não tínhamos onde lançar, mas nós já temos a solução, assim como para San Vale e também temos garantidos recursos para sanear a Zona Oeste.

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