Author Archives: Hugo Alexandre

About Hugo Alexandre

Por Hugo Alexandre

Na terra dos parques eólicos no RN, o chão treme e os moradores de João Câmara tem um motivo a mais para se preocupar

 

 

tremor de terra joão camara

Imagem: Escombros do que era a casa de Jovelino da Silva, na zona rural de João Câmara, RN, após terremotos ocorridos em 1986.

O dia 30 de novembro de 1986 permanecerá na memória da população do município de João Câmara/RN. Naquela madrugada, um terremoto de 5,1 pontos na escala Richter danificou mais de 3.000 casas e levou centenas de moradores a saírem de suas residências em busca de um abrigo. Muitos moradores abandonaram a cidade e migraram para municípios próximos ou para a capital potiguar.

No ultimo domingo, dia 20/09/2015 (08:49h hora local), ocorreu um novo tremor na região de João Câmara, desta vez de magnitude preliminar 3.6. O epicentro preliminar foi localizado entre os municípios de João Câmara, Pureza e Poço Branco, justamente onde se iniciou a atividade sísmica em 1986.

A região de João Câmara é conhecida por seus abalos sísmicos, entre os anos de 1986 a 1993 a atividade foi intensa com a ocorrência de dois tremores de magnitude acima de 5.0 e centenas de outros tremores sentidos pela população.

De acordo como O Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN), embora que a atividade sísmica esteja ocorrendo onde se iniciou a atividade de 1986, não dá para dizer como a atual atividade vai evoluir, portanto a única ação pertinente ao momento é monitorar os abalos e sua dispersão.

abalo sismicos

Image: Sismograma 24 h (até as 14:04 UTC) da estação de João Câmara (ACJC). Em amarelo, o evento de magnitude 3.6. Em vermelho, próximo ao evento de magnitude 3.6, o evento de magnitude 2.8. Fonte: LabSis/UFRN; RSISNE; INCT-ET Joaquim Ferreira, Guilherme Sampaio

Mas agora o município de João câmara e cidades vizinhas devem se preocupar não só com as casas e construções das cidades, mas também com os diversos parques eólicos que foram instalados na região, muitos deles próximos a assentamentos rurais ou nas vias de acessos entre as comunidades, como também as várias linhas de transmissão de energia e subestações que escoam a produção de energia dos parques e transformam o município em um verdadeiro emaranhado de fios, cortando propriedades rurais, reservas legais, assentamentos, rodovias estaduais e municipais.

Recentemente os moradores de João câmara e Parazinho testemunharam um incêndio em um dos 381 aerogeradores instalados na região. Eles observaram de informa incrédula um aerogerador que custa mais de R$ 6 milhões, ser destruído pela força do fogo a uma altura de quase 90 metros, sem que nenhuma ação de combate ao incêndio fosse realizada, pois a região não dispõe de um agrupamento do Corpo de Bombeiros.

Através da história sabemos que os estragos provocados por tremores ou terremotos não podem ser subestimados, pois é um fenômeno da natureza imprevisível e quando ocorrem sempre provocam danos materiais e risco de morte.

 

Hugo Alexandre

 

Fonte:

http://sismosne.blogspot.com.br/

 

 

Torneiras fechadas, reservatórios do RN atingem volume morto

denocs

Após a passagem do inverno ou temporada de chuvas, os reservatórios no Estado do Rio Grande do Norte estão em situação precária, alguns deles já atingiram o volume morto e os que ainda possuem alguma água estão caminhando a passos largos em direção a mesmo destino. Diante desse cenário catastrófico, os municípios do RN estão pedindo ajuda ao governo federal e estadual no combate à seca, mas a ajuda não vem a galope e a população começa a sentir os efeitos da seca e o temor de que a tragédia ocorrida 1915(grande seca) volte a ocorrer.

Dos 167 municípios do Rio Grande do Norte 153 estão em estado de calamidade pública por causa da seca. Vinte cidades estão passando por rodízio no abastecimento de água e nove estão em colapso, com o abastecimento completamente suspenso por parte da Companhia de Águas Esgotos do Rio Grande do Norte. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn), o atual período de seca é o pior no RN desde 1911 quando a instituição começou o monitoramento pluviométrico no estado.

O volume máximo de acumulação de água nos reservatórios públicos construídos e monitorados pelo DNOCS no Rio Grande do Norte, com volume superior a 2.000.000m³, é de aproximadamente 3.149.142.000m³, mas o cenário atual não chega nem perto disso, por exemplo:

O açude Armando Ribeiro Gonçalves – o maior do DNOCS no RN, com capacidade de acumular 2,4 bilhões de m³ – está com, apenas, 636.508.000m³ ou 26,52% de sua capacidade total. O Poço Branco, que tem capacidade de acumular 135.163.000m³, está com 32.412.000m³, equivalente a 22,5% e o Mendubim, que capaz de acumular 76.349.000m³, está com 16.002.000m³, ou 20,96% de seu total.
Situações mais preocupantes se encontram alguns reservatórios que são fontes hídricas também de projetos de irrigação. O Sabugi, com capacidade de acumular 65.335.000m³, está com 6.036.000 ou 9,24% e o Itans, cuja capacidade é de 81.750.000m³, se encontra com 5.160.000m³, correspondendo a 6,3%. Situações mais drásticas ainda se encontram os açudes Marechal Dutra e Pau dos Ferros, que estão em situação de volume morto, acumulando apenas 0,41% e 0,33% de suas capacidades, respectivamente.

Sabemos que o nordestino tem uma capacidade enorme em lidar com a seca, pois sempre nos acompanhou em nossas histórias de luta pela sobrevivência nessa terra abençoada, mas o contexto agora mudou, estamos vivenciando uma profunda transformação no clima do nosso planeta com tendência a prolongar os períodos de seca nas regiões já acostumadas com essa sazonalidade climática. Em outras partes do Brasil, que apresentam um clima mais ameno e “fartura de água”, a situação também mudou, tendo agora que enfrentar os efeitos danosos as seca.

Resta agora ao Rio Grande do Norte se preparar através de ações articuladas com os gestores públicos e população no intuito de amenizar a crise hídrica e promover o uso racional da água enquanto ainda temos.

 

Hugo alexandre

 

Referências:

http://www.dnocs.gov.br/php/comunicacao/noticias.php?f_registro=3619&f

Governo vai mudar as regras do licenciamento ambiental para obras estruturantes

hidrelétrica

Como tentativa de agilizar os processos de licenciamento ambiental de interesse do governo, o Estado pretende encaminhar ao Congresso Nacional uma emenda constitucional que conceda aos projetos estratégicos e estruturantes, especialmente os do setor elétrico, um processo mais ágil de licenciamento. O ministro de Minas Energia, Eduardo Braga, espera que a emenda seja aprovada ainda em 2015, para aprimorar o ambiente de negócios no setor e permitir que o cronograma das obras seja atendido. O ministro concedeu entrevista na terça-feira, após o lançamento do Programa de Investimento em Energia Elétrica (PIEE).

Durante seu discurso na cerimônia de lançamento, Braga afirmou que o PIEE se insere em um conjunto de ações mais amplas que estão em curso. “O anúncio no dia de hoje (se insere em) uma agenda para o crescimento econômico com o apoio do Senado e do Congresso, onde uma das ênfases é a criação de condições constitucionais para um fast track (via rápida) nas obras estruturantes do nosso país”, reforçou. Com o PIEE e mais as outras ações em andamento, o ministro afirmou que “o Brasil deverá chegar a 2018 com um sistema elétrico ainda mais robusto, com tarifas declinantes e competitivas com o mercado internacional”, dando suporte ao crescimento econômico sustentado.

A proposta prevê também o estabelecimento de prazos constitucionais para que os órgãos públicos cumpram as diversas etapas dos cronogramas de liberação de projetos, como a de licenciamento ambiental, que dependem do aval de entidades como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

 

fonte: http://www.mme.gov.br/web/guest/pagina-inicial/manchete/-/asset_publisher/neRB8QmDsbU0/content/projetos-estrategicos-terao-licenciamento-mais-agil

Hugo Alexandre

Ministério da água, é preciso?

seca

Em meio à crise financeira e política instaurada no Brasil e as discussões no governo sobre a “possível” redução do número de ministérios, o engenheiro civil Newton de Lima Azevedo, um dos 35 governadores que representam o mundo no Conselho Mundial da Água, faz uma sugestão ousada durante uma palestra sobre crise hídrica.

“Temos que criar o ministério da água, pode tirar o resto que não são tão importantes”.

De acordo com o engenheiro, o Brasil não tem uma política pública para a água, na verdade, até a publicação da Lei 9433/97 que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, a gestão das águas no Brasil se restringia à emissão de outorgas de uso pelos estados sem nenhum planejamento. Os cadastros eram praticamente inexistentes e tampouco havia informações sobre as bacias hidrográficas, sem falar na ausência de planos estaduais de recursos hídricos.

Atualmente o Brasil esta passando por uma grave crise hídrica, tendo como causa falhas brutais de gestão dos seus mananciais e fatores geográficos, pois embora o Brasil seja o país com a maior quantidade de água per capita do mundo, a sua disponibilidade é má distribuída ao longo do território. A região Norte, que apresenta as menores densidades demográficas, possui cerca de 70% das reservas nacionais. Para se ter uma ideia dessa relação, segundo o Serviço Geológico do Brasil, apenas 1% de toda a vazão do Rio Amazonas seria suficiente para atender em mil vezes o que necessita a cidade de São Paulo.

Todavia, é justamente onde existem menos reservas de água no país que reside a maior parte da população e também onde acontece grande parte das atividades econômicas – industriais, comerciais e agrícolas. Assim, os sistemas de abastecimento ficam cada vez mais sobrecarregados, tornando-se vulneráveis a qualquer grande seca que ocorra. E ela esta ocorrendo.

Para alguns analistas, o impacto da falta de água no Brasil, além de prejudicar o abastecimento humano e a produção de energia, afetará toda a cadeia produtiva, prejudicando setores como indústria, agricultura e pecuária.

Portanto, o país precisa avançar rapidamente em políticas e ações que visão o uso racional desse recurso tão precioso, afinal, o futuro esta batendo em nossa porta, apresentando um cenário caótico caso medidas urgentes não sejam tomadas.

 

Hugo Alexandre M. Fonseca