Caos no sistema penitenciário: secretaria de segurança foi alertada sobre ataques e rebeliões

26 de março de 2015
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A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesed) sabia, desde dezembro de 2014, sobre o risco da ocorrência de rebeliões no sistema prisional potiguar e de ataques ao patrimônio público e privado nas ruas de Natal.

Segundo informações divulgadas pela Tribuna do Norte, a comunicação foi encaminhada pelo Ministério Público Estadual (MPE/RN) à Secretaria no dia 9 de dezembro passado, logo após a coleta do depoimento de um dos presos da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, que detalhou os planos das facções que atuam no Estado potiguar.

Foi dada ciência dos fatos ao então chefe do Setor de Inteligência da Sesed, Ulisses Danilo Silva Almeida, coronel da Reserva do Exército, que assumiu a função nomeado pelo ex-titular da pasta, Eliézer Girão Monteiro Filho.

Ao longo do processo de transição entre os governos da ex-governadora Rosalba Ciarlini para o atual gestor do Executivo Estadual, Robinson Faria, a informação quanto ao conteúdo dos desdobramentos da Operação Alcatraz, que desarticulou um esquema de crime organizado nos presídios potiguares, foi repassada à equipe nomeada pelo atual governador.

Algumas unidades ficaram destruídas, segundo a titular da Sejuc. Na foto, uma cela de Alcaçuz após as rebeliões (Foto: Divulgação/Sindasp-RN)

Algumas unidades prisionais ficaram destruídas. Na foto, uma cela de Alcaçuz após as rebeliões (Foto: Divulgação/Sindasp-RN)

De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, os informes foram considerados ‘genéricos’ e como não foram informadas datas de possíveis ataques e rebeliões, ações mais efetivas não foram viabilizadas. Foi encaminhado ao Setor de Inteligência da pasta um trecho em vídeo do depoimento do detento que detalhou os planos das facções.

Segundo a Tribuna do Norte, a Sesed, em nota, reiterou: “Quanto ao conteúdo em vídeo enviado pelo Ministério Público à Sesed, no ano passado, a Secretaria esclarece que o material apresenta dados genéricos referentes à Operação Alcatraz, não existindo um direcionamento específico sobre quando os atentados aconteceriam”.

O Ministério Público Estadual respondeu, através da assessoria de imprensa, que “as instituições que integram o GGI – Gabinete de Gestão Integrada tinham conhecimento dos riscos iminentes de ataques a ônibus, visto que já constavam dos relatos colhidos em 2014, tendo sido tomadas as providências cabíveis a cada órgão para contenção e minimização dos efeitos da crise”.

Ônibus é incendiado em Natal após três homens renderem o cobrador, o motorista e um passageiro estava no interior do veículo. Ataque foi ordenado por uma fação criminosa que age nas unidades prisionais do estado. (Foto: Tribuna do Norte)

Ônibus é incendiado em Natal após três homens renderem o cobrador, o motorista e um passageiro estava no interior do veículo. Ataque foi ordenado por uma fação criminosa que agia nas unidades prisionais do estado. (Foto: Tribuna do Norte)

No dia 16 de março, quatro ônibus e um veículo de transporte público alternativo foram incendiados em Natal e Região Metropolitana.  A Secretaria Estadual de Segurança, por sua vez, reconheceu que “a crise no Sistema Penitenciário foi anunciada há tempo, sendo um problema crônico e grave”.

Operação Alcatraz
Deflagrada em dezembro de 2014, desarticulou o esquema de atuação de facções criminosas no Rio Grande do Norte. Foram cumpridos 223 mandados de prisão e 97 de busca e apreensão. O MPRN investigou os criminosos por 10 meses e reuniu material comprobatório relativo aos tráficos de drogas e armamentos, além do financiamento do crime organizado no RN.

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