Em Natal, semana começa com atentados a ônibus, calamidade no sistema prisional e população assustada

17 de março de 2015
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A noite da última segunda-feira (16) foi de apreensão e medo para a população natalense. Cinco ônibus e uma viatura da Polícia Militar foram incendiados. Os atentados desencadearam o recolhimento da frota dos ônibus da cidade e milhares de usuários tiveram dificuldades para voltar para casa. Além disso, o Governo do Estado decretou estado de calamidade nos presídios do Rio Grande do Norte em decorrência da série de rebeliões ocorridas nas unidades prisionais em todo o estado.

Ônibus incendiados

O primeiro atentado ocorreu em Natal no fim da tarde, quando um ônibus da Linha 72, da empresa Guanabara, foi parcialmente incendiado na zona Norte. Quatro homens renderam o motorista e cobrador, em seguida, espalharam gasolina e atearam fogo e fugiram sem identificação. As labaredas foram controladas.

Ônibus da empresa Santa Maria foi incendiado na avendida Hermes da Fonseca por grupo de criminosos, ninguém se feriu. (Foto: Everton Dantas)

Ônibus da empresa Santa Maria foi incendiado na avendida Hermes da Fonseca por grupo de criminosos, ninguém se feriu. (Foto: Everton Dantas)

Por volta das 19h30, um ônibus da linha 39, da empresa Santa Maria, foi incendiado na avenida Hermes da Fonseca, em Tirol. Três homens entraram no veículo ordenaram que todos os ocupantes saíssem, espalharam gasolina que estava em um botijão e atearam fogo no veículo, que ficou completamente destruído.

Cerca de 40 minutos depois,  um ônibus da Empresa Oceano foi incendiado no terminal do Golandim, em São Gonçalo do Amarante. Homens encapuzados chegaram numa moto e ordenaram que motorista e passageiros descessem. Os criminosos espalharam gasolina e atearam fogo no veículo.

Ônibus da empresa Oceano no bairro Golandim, São Gonçalo do Amarante (perda total). (Foto: Alex Régis)

Ônibus da empresa Oceano no bairro Golandim, São Gonçalo do Amarante (perda total). (Foto: Alex Régis)

Por volta das 21h30, um micro-ônibus que faz a linha intermunicipal Natal-Parnamirim foi incendiado e ficou completamente destruído. Também em Parnamirim, desta vez no bairro Parque Industrial, um ônibus da Empresa Barros foi alvo dos criminosos, que também atearam fogo.

O sistema estadual de segurança acredita que os os atentados teriam sido ordenado pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Os incêndios podem ter relação com as recentes rebeliões das unidades prisionais do estado.

Devido aos atentados em série, as empresas de ônibus de Natal recolheram toda a frota de veículos em circulação. A medida provocou a superlotação das principais paradas de ônibus da cidade, principalmente aquelas nas proximidades das faculdades e shopping centers. A saída para quem precisava voltar para casa foi fretar táxi, ir a pé ou pedir carona.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Rio Grande do Norte (Sintro-RN), a categoria está em alerta. A orientação é que, caso ocorra uma nova onda de atentados, as empresas deverão recolher a frota de ônibus novamente.

Calamidade

Os motins e atentados a ônibus em Natal e Região Metropolitana motivaram o Governo do Estado a decretar estado de Calamidade Pública no Sistema Prisional do Rio Grande do Norte. A partir de hoje, a Força Nacional irá ampliar a atuação no estado potiguar, com o aval do Ministério da Justiça.

Somente ontem, cinco unidades prisionais situados nos municípios em Natal, Parnamirim e Nísia Floresta, foram destruídas. Grades e celas quebradas, colchões e lençóis queimados, presos. Não foram registradas fugas, nem mortes.

Em meio à crise no sistema prisional do Estado, o secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Zaiden Heronildes, pediu para deixar o cargo, com apenas dois meses ocupando a função.  A delegada Kalina Leite, responsável pela Secretaria de Segurança e Defesa Social (Sesed), assumiu a vaga e acumula agora interinamente a titularidade das duas pastas, após designação do governador.

Em meio à crise no sistema prisional do Estado, o secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Zaiden Heronildes, pediu para deixar o cargo. (Foto: Reprodução/Novo Jornal)

Em meio à crise no sistema prisional do Estado, o secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Zaiden Heronildes, pediu para deixar o cargo. (Foto: Reprodução/Novo Jornal)

Desde a última sexta-feira (13), a administração do sistema prisional do RN vive um momento difícil. Sucessivas rebeliões nos presídios têm mostrado a fragilidade do sistema. Os motins começaram na sexta, na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, a maior do estado, localizada em Nísia Floresta, e no Complexo Penal João Chaves, na Zona Norte da capital potiguar. Os presos pedem mudanças nas gestões das unidades e melhorias estruturais.

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