Coluna do Barbosa

Carlos Alberto Barbosa é jornalista, natural de Natal (RN), formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desde 1984. É ainda autor do blogdobarbosa e assina uma coluna no portal Nominuto.com​

Eu fosse Temer pedia para o novo garçon do Planalto me demitir

18 de junho de 2016

Fosse eu o presidente interino do Brasil, Michel Temer (PMDB), pedia para o novo garçon que serve a ele no Palácio do Planalto me demitir. Sim, porque o antigo que serviu ao ex-presidente Lula e a presidenta Dilma que foi golpeada foi mandado embora pelo peemedebista.

Digo isto porque Temer determinou aos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), que conversem com todos os integrantes do primeiro escalão sobre qualquer envolvimento que possam ter com as investigações da Operação Lava-Jato. O próprio Temer foi denunciado no esquema do petrolão pelo ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado, de pedir dinheiro sujo para a campanha de Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo.

Segundo o jornal O Globo, Temer ficou muito irritado com a saída de Henrique Eduardo Alves do Ministério do Turismo, antecipando-se a denúncias que surgirão nos próximos dias. Segundo auxiliares presidenciais, ele quer evitar novas baixas por conta de potenciais escândalos.

Na reunião, os peemedebistas demonstraram preocupação com a delação de Fábio Cleto, que era vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Segundo um integrante do governo, há citação a Geddel. Cleto é afilhado político do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Como se observa, em 30 dias de governo interino, ao menos quatro ministros já foram alçados a condição de ex devido as denúncias de envolvimento no escândalo da Lava Jato ou outro tipo de denúncia. São eles: Romero Jucá (Planejamento), Fabiano Siqueira (da Transparência), Fábio Medina Osório (Advocacia-Geral da União) e agora Henrique Eduardo Alves.

Na lista dos que podem vir ainda a ser demitidos estão Mendonça Filho (Educaçã0), pois que o procurador-geral da União, Rodrigo Janot,  vê indícios de que o atual ministro teria recebido propina na sua reeleição a deputado federal em 2014, a secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Peales,  investigada na Operação Voucher, suspeita de ter destinado R$ 4 milhões de uma emenda parlamentar para uma ONG vinculada à área de turismo, onde trabalhava uma sobrinha, e o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho (Uma tabela que consta da delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que teve o sigilo derrubado na última quarta-feira (15), fala em pagamento de R$ 400 mil de dinheiro de propina ao atual ministro do Meio Ambiente).

Quando assumiu interinamente o governo com o afastamento da presidenta Dilma por 180 dias, Michel Temer prometeu fazer um governo de notáveis, ou seja, com ministros de reputação ilibada sem nenhum rabo preso. Não parece, o que se ver é um governo de notórios, ou seja, que estão sempre na mídia mais pelo lado negativo merecendo crônicas policiais ao invés de crônicas políticas.

Nem mesmo Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, deve escapar da degola. Aliás, a cumprir o que determinou Michel Temer (conversem com todos os integrantes do primeiro escalão sobre qualquer envolvimento que possam ter com as investigações da Operação Lava-Jato), ele mesmo deve se olhar no espelho e ter uma conversa olho no olho e pedir pra sair também.

Fato é que o governo golpista do PMDB a cada semana se enlameia mais. E o melhor é que as denúncias contra os golpistas estão partindo de gente do próprio PMDB, que um dia já foi tucano, falo do ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado, posto no cargo por Renan Calheiros, presidente do Senado.

Bom que se diga que Machado disse na delação premiada que políticos de vários partidos chegaram a discutir um pacto para conter a Lava Jato e que  a manobra incluía a convocação de uma Constituinte para reduzir os poderes do Ministério Público.

Antes de a delação de Machado vir a público, ele já havia divulgado conversas gravadas com políticos. Em uma delas, Jucá falava em estancar a Lava Jato. Os áudios de Machado foram responsáveis pela queda de dois ministros do governo de Michel Temer, o próprio Jucá e Fabiano Silveira (Transparência).

No depoimento da delação premiada, Sérgio Machado revelou que a tentativa de estancar a Lava Jato não partiu apenas do PMDB, partido de Jucá. O delator relatou que Jucá falou de tratativas com o PSDB  para alterar leis e tentar limitar a operação.

Está mais do que na hora da sociedade voltar as ruas e pedir para o garçon do Planalto afastar Michel Temer da Presidência. Está mais do que na hora das varandas gourmets do Morumbi voltar a bater panelas. Por estes dias Temer deve fazer um pronunciamento em cadeia de Rádio e Televisão. Bom seria que ele anunciasse a renúncia ao governo interino.

A conferir!

Charge: Aroeira, em O Dia (RJ)

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