Querido Focinho

Neli Terra é jornalista dos setores jurídico e energético (renováveis, O&G), apresentadora e diretora de TV, mãe, madrasta, esposa, filha, irmã. Gaúcha. Movida por desafios.Andarilha por natureza. Apaixonada pelos animais, sonha com um mundo onde todos convivam com respeito e harmonia.

Problemas afastam turistas e natalenses de Ponta Negra

23 de abril de 2012

Uma das praias mais conhecidas do Estado, Ponta Negra, sucumbe à infraestrutura deficiente e falta de investimentos. Na orla, que emoldura um dos mais conhecidos ícones da capital potiguar, o que se vê é lixo, crateras e água empoçada. O descaso do poder público só acentua o estado de abandono. As famílias natalenses foram as primeiras a deixar a areia e águas mornas, durante os fins de semana de sol. Na noite, perderam espaço  para uma legião de turistas, sobretudo estrangeiros – e para a prostituição.  Sem incremento de projetos do poder público, a beleza natural do Morro do Careca coroando o mar permanece como único atrativo.

De férias em Natal, casal paranaense Graciela Peovezan e Tiago Leseux, 30 anos, se decepcionaram com o estado da orla. “É uma cidade turística, que tem aqui seu principal cartão de visitas e o que se vê são bares mal servidos, falta de informação, lixo e mau cheiro de sobra”, disse a turista.

Calçadão destruído e ainda sem recuperação aumenta quadro de abandono da famosa praia

Há um ano, desde que montou um bar “para nativo”, o pernambucano Erasmo Trajano de Moraes diz conhecer o preço de ir contra a política da vizinhança. “Não aceito prostituição, gringo que vem para fazer isso, ambulante incomodando. Mas a região ganhou a pecha e é difícil trazer o natalense aqui”, admite. Segundo ele, investimentos em publicidade também não surtem o efeito esperado. “O turismo é forte. Mas é preciso trazer o natalense, o potiguar para desfrutar a sua praia”, observa.

A deficiência em infraestrutura tem deslocado o turista para outros pontos, conta o bugueiro e morador de Ponta Negra Igor Medeiros, 28 anos. “Muitos se decepcionam com o serviço, o calçadão, sujeira e preferem outras praias”, disse. Igor continua a frequentar  a orla nas horas vagas por falta de opção. “O natalense que tem mais condições, foge mesmo daqui, dessa exploração”, diz.

A falta de fiscalização permite  ambulantes formarem uma mini-feira livre que vende desde moda praia, CDs e DVDs piratas a artesanato e comidas típicas. A vendedora Ana Lucia Azevedo, de uma loja de moda feminina, reclama da concorrência desleal. “A praia está um vazio e ainda perdemos espaço para quem vende produto sem nota fiscal”, afirma.

Ação

A Promotoria de Justiça instaurou inquérito civil, para investigar denúncias contra a Prefeitura de Natal, após matéria da TRIBUNA DO NORTE, publicada no último dia 12.O promotor João Batista Barbosa está aguardando as informações solicitadas acerca das obras realizadas no  calçadão de Ponta Negra, pela empresa Sicol. A empresa é acusada de abandonar entulho irregularmente no local. Com o movimento das marés, os resíduos foram espalhados pela praia, causando danos.

Veja matéria noticiada no dia 12:

[Os banhistas que frenquentam a praia de Ponta Negra tiveram uma surpresa neste início de semana. O entulho das obras realizadas para a reconstrução do calçadão foi deixado na areia da praia, formando “montanhas” do material da obra no local. Quando a maré chegou ao ponto onde estava o entulho, todo o material foi espalhado por um trecho da praia, que ficou intransitável. A equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE foi até o local nesta quinta-feira e comprovou a situação.

De acordo com o presidente da Associação dos Trabalhadores de Ponta Negra (ATPN), Marcos Martins, a entidade entrou com uma ação no Ministério Público contra a empresa, já que consideram o ato como crime ambiental. “Nós estamos acionando o Ministério Público para oferecer denúncia contra a empresa”, disse. “Em parte a culpa também da Prefeitura que não fiscaliza corretamente a obra”, concluiu.

A responsável pela obra é a empresa Sicol, contratada pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur). A Secretaria informou, através da assessoria de imprensa, que a empresa realiza o recolhimento do entulho, mas alguma parte ainda permanece no local. Segundo a Semsur, os locais de foco das obras serão mais fiscalizados e haverá sinalização de aviso aos banhistas sobre a situação.

O presidente da ATPN disse ainda que alguns turistas tentaram passar pelo local durante esta semana e acabaram se ferindo em função do material da obra espalhado pela areia. “Algumas pessoas ainda tentaram passar por aqui e acabaram se ferindo, cortando o pé”, relatou.

A associação cobra a retirada do material da areia da praia. Para Marcos Martins, neste momento, a limpeza tem de ser feita em toda a orla. ” A limpeza tem que ser feita em toda a orla. A maré já espalhou todo o material”, disse.]

A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente deu prazo de 5 dias para a Urbana realizar vistoria no local; como também, a Semsur e Semopi informarem sobre a fiscalização da obra. Uma audiência de conciliação será realizada na próxima terça-feira (24), na Promotoria de Justiça.

Deixe seu comentário:

© 2015 RioGrandedoNorte.Net - Todos os Direitos Reservados

O RioGrandeDoNorte.Net seleciona as notícias mais importantes da semana a partir das mais confiáveis fontes de informação setorial. Em algumas delas, agregamos o noticiário de um assunto em um só item, ressaltamos (negritando) ou até comentamos (grifando) a notícia original, caso pertinente.