Representantes se reúnem em Natal e retomam estudo sobre 'linhão' para energia

21 de fevereiro de 2013

Notícia publicada no caderno de Economia da Tribuna do Norte:

Representantes de quatro estados do Nordeste se reuniram ontem em Natal para discutir a instalação de linhas de transmissão de energia que interliguem os parques eólicos ociosos e atendam aos parques que ainda serão instalados na região. A primeira linha interligaria João Câmara (RN), Pecém (CE), Luiz Correia (PI) e São Luiz (MA) e a segunda, interligaria Sobradinho (BA) e Minas Gerais. Os estudos que resultarão na elaboração do projeto básico estão sendo atualizados pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Ainda não há prazo para iniciar a obra.

Atrasos em obras de implantação de linhas de transmissão têm comprometido a operação de parques eólicos e investimentos do setor. (Foto: Júnior Santos)

Atrasos em obras de implantação de linhas de transmissão têm comprometido a operação de parques eólicos e investimentos do setor. (Foto: Júnior Santos)

A ideia será apresentada no próximo dia 8 durante o Fórum Nacional de Secretários para Assuntos de Energia, no Rio de Janeiro, e no dia 20 de março, durante reunião da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em Natal, que deve contar, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado (Sedec), com a participação da presidenta Dilma Rousseff. Procurada, a Secretaria de Comunicação da República não confirmou a informação. Na agenda da presidenta, por enquanto, só estão registrados os compromissos desta e da próxima semana.

A Sedec reconhece que o projeto será caro, mas ainda não sabe quanto a obra custará nem de onde virão os recursos. “Talvez de um leilão, de uma Parceria-Público-Privada ou do próprio Tesouro Nacional (do cofre do governo federal)”, opinou Rogério Marinho, secretário de Desenvolvimento Econômico do RN.

A ideia do linhão ‘estruturante’ é antiga e foi ‘ressuscitada’ depois que empresas de energia eólica anunciaram que estavam ou revendo projetos ou adiando investimentos devido a falta de subestações e linhas de transmissão suficientes. A falta de linhas que conectam os parques eólicos à rede nacional afeta sobretudo os estados da Bahia e do Rio Grande do Norte. Só o RN tem mais de 10 parques aguardando conexão.

Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico, responsável pela coordenação e controle da operação da geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional, há no país inteiro 627 (megawatts) MW em energia eólica ociosos por falta de conexão. Deste total, 333 MW, ou 53,1% do total, estão no RN.

O Maranhão quer evitar este tipo de problema. O estado é um dos que reivindicam a instalação dos ‘linhões’. Os primeiros parques eólicos no estado, segundo a Secretaria de Minas e Energia do Maranhão, já começaram a ser erguidos e tem data de conclusão prevista para 2015. Os parques, conforme informou Ricardo Gutterrez, titular da pasta e vice-presidente regional do Fórum Nacional de Secretários de Estado para Assuntos de Energia, são da Bioenergy, empresa que está entre as quatro maiores geradoras de energia eólica do país e que em janeiro deste ano anunciou a intenção de transferir um dos quatro parques já em instalação no RN para o Maranhão.

Secretário Rogério Marinho recebeu representantes de vários estados nordestinos para discutir ações conjuntas. (Foto: Heracles Dantas)

Secretário Rogério Marinho recebeu representantes de vários estados nordestinos para discutir ações conjuntas. (Foto: Heracles Dantas)

O pedido de transferência foi feito à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que até o fechamento da edição, não respondeu se a transferência tinha sido autorizada. Segundo Ricardo, a Bioenergy está investindo R$ 1,2 bilhão em energia eólica no Maranhão. A equipe de reportagem tentou entrar em contato com o presidente da empresa, para que detalhasse os investimentos realizados no estado vizinho, mas ele não atendeu as ligações. A empresa tem dois parques em operação e quatro em instalação no RN.

Obras da Chesf serão discutidas em reunião

Antes de serem levados para o Fórum Nacional de Secretários para Assuntos de Energia, a ser realizado no dia 8 de março no Rio de Janeiro, os problemas gerados pela falta de subestações e linhas de transmissão para escoar energia eólica no Nordeste serão discutidos outra vez no Rio Grande do Norte. Uma reunião foi agendada para amanhã, na Escola de Governo, no Centro Administrativo do Governo do Estado.

O encontro, segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Rogério Marinho, reunirá empresários do setor e contará com a presença do presidente da Chesf, companhia responsável por instalar três das quatro linhas de transmissão de energia previstas para o estado e apontada pela Abeeólica pelo atraso de “100% das linhas leiloadas no país”.

Na ocasião, a companhia apresentará o cronograma de execução das obras sob sua responsabilidade no Rio Grande do Norte. Procurada ontem pela equipe de reportagem, a Chesf não informou em que estágio se encontra a instalação da primeira das três linhas licitadas. O primeiro bloco de obras, o Extremoz/João Câmara II, teve a ordem de serviço assinada no fim de janeiro e tem a conclusão prevista para setembro.

“A companhia nos apresentará o cronograma e dirá se continua enfrentando problemas com a sua execução”. Segundo a Chesf, o atraso na instalação das linhas, algumas atrasadas há mais de um ano, teria se dado por questões fundiárias.

PROPOSTA

Pedro Cavalcanti, diretor Norte-Nordeste da Abeeólica, reconhece o problema acarretado pela falta de linhas de transmissão, mas observa “que as medidas necessárias estão sendo tomadas pela Chesf”. A Associação aproveitará a presença da presidenta na reunião da Sudene para propor que o governo federal mude a sistemática dos leilões de energia eólica. Hoje, o governo leiloa primeiro os parques para depois leiloar ‘linhas de transmissão menores’. O ideal, segundo Pedro, é que o governo inclua a instalação de grandes linhões, como os que serão propostos, no Planejamento Decenal de Energia. As centrais de conexão compartilhada que utilizam o mesmo sistema de transmissão para escoar a energia produzida instaladas até o momento, afirma a Sedec, foram paliativos.

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