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Alta umidade provoca fenômeno raro em Natal

Os natalenses tiveram uma surpresa na manhã desta quarta-feira (24). A quase sempre ensolarada capital potiguar – que nos últimos dias já tinha presenciado fortes chuvas – amanheceu coberta por uma forte névoa, misturada com um cheiro de fumaça. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn), a ‘névoa úmida’ aconteceu por causa da alta umidade relativa do ar e da queda de temperatura. As fogueiras de São João, comemorada na última terça-feira (24), contribuíram para o fenômeno.

O órgão informou que a média de umidade chegou a 95% durante a madrugada e a temperatura mínima alcançou 22 graus. Como não há a formação de chuva, as partículas de água suspensas no ar ficam circulando até que o sol as faça evaporar ou o vento as desloque, o que formou a névoa. Não é comum a formação de névoa úmida no litoral do Nordeste, por isso o fenômeno foi considerado raro.

O fato teve repercussão nas redes sociais onde usuários inclusive registraram o fenômeno em fotos. Confira algumas imagens que circularam na internet:

Foto: Karol marques

Foto: Karol Marques

Foto: Cintia da Hora/Portal nominuto.com

Foto: Cintia da Hora/Portal nominuto.com

Cidade amanheceu com a visibilidade ofuscada por uma 'fumaça' branca (Foto: Érika Zuza/Inter TV Cabugi)

Cidade amanheceu com a visibilidade ofuscada por uma ‘fumaça’ branca (Foto: Érika Zuza/Inter TV Cabugi)

Pesquisadores potiguares vão à Antártica para estudar clima do planeta

Do Riograndedonorte.net com informações da Agecom/UFRN:

Não é necessária muita conversa para reparar no entusiasmo com que José Henrique Fernandez fala do continente mais frio do planeta. O professor da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) enumera fatos históricos, dados numéricos e aspectos da paisagem do lugar com a espontaneidade de quem fala coisas triviais. Natural para alguém que por quinze vezes já esteve no Polo Sul, duas delas após chegar à UFRN, em 2010.

“Eu estava na graduação, em São Paulo, e conheci uma pesquisadora que trabalhava com a física da alta atmosfera terrestre”, lembra José Henrique, sobre como começou sua série de viagens. “Resolvi fazer iniciação científica na área e ela me falou: ‘temos um grupo que vai para a Antártica e, como você tem se dado bem nas pesquisas, vou lhe botar para fazer parte da expedição’. O sorriso foi de orelha a orelha”, rememora.

De modo divertido, seu colega de ECT e meteorologista David Mendes conta que – segundo anedota que circula entre os docentes, longe da Antártica -, José Henrique estaria fora de seu habitat natural. David nunca foi ao Continente Branco, mas deve ser o próximo professor da UFRN a percorrer os milhares de quilômetros e enfrentar as longas horas de vôo em avião da Força Aérea Brasileira para desenvolver investigações no local.

No último mês de dezembro, o cientista obteve financiamento para sua pesquisa pelo Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), iniciativa de apoio a estudos sobre o continente que envolve o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), os ministérios da Defesa, do Meio Ambiente, das Relações Exteriores e da Ciência, Tecnologia e Inovação, além de empresas públicas e privadas.

Pesquisadores Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN devem ir à Antártica em 2016 para conduzir estudos. (Foto: José Henrique Fernandez)

Pesquisadores Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN devem ir à Antártica em 2016 para conduzir estudos. (Foto: José Henrique Fernandez)

No entanto, a viagem deve acontecer somente no último ano do projeto, que vai até 2016. O motivo é a temporária, falta de instalações adequadas para desenvolvimento das análises, já que no final de 2012 um incêndio destruiu a estação científica brasileira, que estava lá desde 1984. “A partir do próximo ano poderá ter um laboratório exclusivo para clima dentro da estação, que está sendo reconstruída, então, é a partir daí que a gente pensa em ir. No cronograma, deixamos a coleta de dados in loco como a última parte”, diz.

O trabalho do meteorologista quer descobrir as relações entre o gelo que se forma sobre o mar da Antártica e o clima na parte sul da América do Sul. Entender as conexões entre os elementos ajudaria a prever eventos como chuvas mais violentas ou temperaturas acima da média no Centro-Sul do Brasil, e até pode servir como ponto de partida para, por exemplo, análises sobre a vida de animais marinhos.

“Muita coisa está em volta. Nosso estudo não aborda tudo, mas ele abre o leque para outras áreas”, explica David Mendes. “Nosso intuito é dar o pontapé para várias outras pesquisas relacionadas, fornecer subsídios para alguém que vincule, quem sabe, clima com agricultura ou com saúde pública, para que tenha base em informações científicas”.

Gelo

A água do oceano congelada nas bordas do continente forma o que os estudiosos chamam de gelo marinho. A extensão do gelo na Antártica varia aos poucos, de acordo com a temperatura da Terra, e avança até seu ponto máximo durante o inverno, no Hemisfério Sul e recua até o mínimo durante o verão. Os meteorologistas sabem que esse movimento influencia na passagem de frentes frias em direção à América do Sul e, também, na ocorrência chuvas na região. Determinar a relevância dessa influência é o que pretende o trabalho do professor da UFRN.

“O que tá acontecendo com esse gelo? No futuro, ele vai aumentar ou diminuir? Se aumentar, trará benefícios ou malefícios? E se diminuir?”, cita David Mendes, sobre alguma das questões que propõe investigar.

A análise é feita com o auxílio de sofisticados, programas de computador que os cientistas denominam “modelos”. Informações como vento, pressão, umidade e temperatura são coletadas em todo o mundo através de satélites espaciais e por meio de estações meteorológicas espalhadas pelo planeta. Reunidos, os dados colhidos alimentam os modelos, que, após meses de processamento em máquinas de alto desempenho, descrevem o comportamento do clima no futuro.

No caso do estudo conduzido na UFRN, a ideia é prever o cenário para os próximos cem anos. Os resultados deverão produzir por volta de vinte terabytes de informação, o equivalente a cem vezes a capacidade de armazenamento de um computador pessoal comum.
David explica que o desequilíbrio histórico entre os hemisférios Sul e Norte, no que diz respeito à quantidade de recursos aplicados em pesquisas, fez com que o número de investigações meteorológicas sobre a região norte do planeta superasse em muito o de trabalhos sobre a parte sul. O cenário contribui para a relevância de projetos como o seu.

“Agora estamos tentando tomar as rédeas do conhecimento sobre o Hemisfério Sul, não só brasileiros, mas argentinos, australianos e neo-zelandeses”, conta. “O Brasil está na vanguarda e tem hoje nível mundial. Estamos pulando a barreira de deixar tudo concentrado nos grandes centros e conseguindo fazer ciência de boa qualidade em uma universidade como a UFRN”, analisa o docente.

Sol

Enquanto David Mendes analisa o gelo sobre o mar da Antártica, José Henrique Fernandez mira em objetivos mais altos. Não em sentido figurado, mas do modo literal: a alta atmosfera terrestre é a matéria de estudo do físico.

Mais especificamente, José Henrique investiga as perturbações causadas nos últimos níveis da atmosfera da Terra por prótons e elétrons expelidos pelo Sol, grupo de partículas que os cientistas chamam de ventos solares.

Meteorologista David Mendes quer descobrir as relações entre o gelo que se forma sobre o mar da Antártica e o clima na parte sul da América do Sul. (foto: Wallaci Medeiros)

Meteorologista David Mendes quer descobrir as relações entre o gelo que se forma sobre o mar da Antártica e o clima na parte sul da América do Sul. (foto: Wallaci Medeiros)

Apesar de o tema parecer desprendido da nossa realidade aqui na superfície, melhorar a compreensão do espaço vizinho ao planeta colabora para, entre outras coisas, aperfeiçoar o funcionamento de redes de telecomunicações e para garantir precisão a sistemas de posicionamento global – hoje largamente utilizados tanto em sofisticados instrumentos de aviação quanto em automóveis particulares de passeio.

O docente da ECT esclarece que, quando os ventos solares atingem a Terra – já que nem toda matéria ejetada pelo Sol chega ao planeta –, é nos polos que as partículas penetram em direção à superfície. Essa característica faz com que seja a Antártica o ambiente ideal no Hemisfério Sul para conduzir pesquisas sobre o tema.

A análise é feita com o auxílio de instrumentos receptores de ondas de rádio, que são refletidas na camada da atmosfera denominada ionosfera. Caso haja qualquer mudança imprevista na camada, provocada por precipitações de partículas vindas do Sol, o sinal que alcança os receptores também apresentará alterações. Uma vez conhecidas as deformações do sinal, torna-se possível corrigi-las.

“Nos EUA há um sistema para pouso de aviões que é totalmente automático. Ele precisa saber a posição da aeronave com muita precisão em relação ao solo e isso é feito por satélites”, conta o cientista, para exemplificar possíveis consequências dos efeitos de ventos solares. “O sinal vem do satélite até o avião, passando pela ionosfera. Se ela estiver perturbada, o sinal vai ser perturbado e o avião cai. Para poder confiar cem porcento em um sistema desse tipo, você tem de mapear muito bem a ionosfera e saber as condições dela em tempo real”, analisa.

Outra aplicação do conhecimento mais apurado da alta atmosfera é antecipar fenômenos solares, que possam ter repercussões na Terra, para então prevenir seus efeitos. “A ionosfera funciona também como uma grande antena, e a previsão da chegada de ventos solares pode evitar a perda de milhões de dólares em investimentos em satélites, por exemplo”, afirma José Henrique Fernandez.

As investigações do espaço próximo ao planeta permitem ainda diagnosticar os efeitos na atmosfera do crescimento da emissão de gases provocada pela atividade humana nas últimas décadas. “A Terra passa por ciclos de variações climáticas naturais, mas temos interferido bastante nesse equilíbrio”, aponta o físico. “Como bater o martelo sobre o que de fato é gerado pelo homem e o que é natural? A gente precisa saber como isso se processa, e muitos dos indicadores a gente vê da Antártica”, diz.

O trabalho de José Henrique começou a ser desenvolvido antes de sua chegada à UFRN, e formalmente vincula-se a um centro de astronomia na Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo. O projeto também recebe recursos pelo Programa Antártico Brasileiro.

De sua pequena e impessoal sala no último andar da Escola de Ciências e Tecnologia, o professor já considera sua décima sexta viagem ao Continente Branco. “Neste momento, existem instalações provisórias da estação brasileira, mas que não suportam computadores e tudo o que tinha antes. Em breve teremos geradores, então até o final do ano o pessoal da Física deve começar voltar”, conjetura. “No começo, a gente vai mandar técnicos e engenheiros para reconstruir a estrutura. Depois, provavelmente eu volto”.

Variação da temperatura em Natal está acima da média

Notícia publicada na Tribuna do Norte:

Sol forte e pouco vento. Essa combinação resultou num março de calor “anormal” na Região Metropolitana de Natal. As temperaturas máximas do período, que  geralmente vão de 29 a 30 graus, alcançaram a marca dos 31. Nas ruas, a sensação térmica experimentada pelo natalense chegou à casa dos 39 graus, durante os dias mais quentes. A mudança abrupta ocorreu devido a fatores repentinos, mas os especialistas confirmam que a temperatura média da Grande Natal está mais quente e a tendência é piorar. Em meio século, entre 1960 e 2010, os termômetros registraram um aumento de 1,5 grau nas médias anuais da região metropolitana.

A diferença pode parecer pequena, mas o meteorologista Gilmar Bristot, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn), garante que não. O terceiro mês de 2014 foi mais quente porque a região teve menos ventos que o esperado. Uma variação na pressão sofrida pelo oceano Atlântico foi o fator que levou para outras regiões, os ventos que se deslocariam para o Nordeste. “Sem o vento, a umidade fica parada. E umidade parada retém o calor”, explica o especialista. É esta a sensação “abafada”, sentida pela população.

Já o avanço das temperaturas   médias é o mais preocupante e está relacionado à urbanização e industrialização de Natal. “Isso acontece devido à construção de mais prédios, impermeabilização do solo, retirada do material verde, concentração de veículos… A tendência é formar uma ilha de calor. E não tem como reverter isso. Podemos apenas amenizar com a utilização de transporte coletivo, das tecnologias de combustíveis renováveis e redução dos combustíveis fosseis”, coloca.

Aumento da temperatura acelera desertificação no Seridó e ilha de calor em Natal obriga a população consumir cada vez mais água. (Foto: João Maria Alves)

Aumento da temperatura acelera desertificação no Seridó e ilha de calor em Natal obriga a população consumir cada vez mais água. (Foto: João Maria Alves)

O aumento da temperatura em Natal foi bem maior que o registrado em todo o Planeta. Para se ter uma ideia, entre 1880 e 2012, a temperatura do globo aumentou 0,82º, de acordo com relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Segundo Bristot, são os grandes centros urbanos que se tornam “ilhas” e acabam transferindo calor para Terra.

Cobrir a cabeça com os documentos que carregava, foi a melhor forma encontrada pelo funcionário público José Reinaldo da Silva, de 57 anos, para  enfrentar o sol e o calor no Centro da capital, durante o início da tarde na última sexta-feira (4). Morando na cidade desde 1987, ele revelou que percebeu a  mudança da temperatura durante as décadas e, ainda mais, no último ano.  O mestre de obras Damião Almeida, 49, comprou uma garrafa de água para repor o que fora perdido no suor de poucos minutos de caminhada. “Está muito quente e abafado. O vento diminuiu e tem pouca chuva”, declarou.

Ao contrário dele achar que não, as chuvas permanecem dentro da normalidade, de acordo com a Emparn. “Se aumentar um, dois ou três graus, isso não vai influenciar a quantidade de chuva, mas o comportamento dela. A água, por exemplo, fica menos tempo à disposição e logo evapora”, avalia Bristot. “Os jovens não percebem essas mudança, porque ela ocorre gradativamente ao longo do tempo. Mas quem conheceu Natal antigamente sabe disso”, acrescenta.

Para o professor Ricardo Ojima, do Departamento de Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o aumento da população tem grande influência sobre as mudanças no clima. Porém, deve-se observar mais ainda os padrões de consumo da humanidade. “Na verdade, a intensidade do crescimento populacional de hoje já é muito baixo e as taxas de crescimento da população nas idades jovens já é negativa há algum tempo. Natal e Parnamirim, por exemplo, apresentam uma taxa de fecundidade de 1,6 filhos por mulher. E a taxa de reposição da população seria de 2,1 filhos por mulher. Apesar disso, poucas são as chances de que as emissões de GEE (gases do efeito estufa) no país diminuam. Ao contrário, com uma população menor e mais envelhecida, a tendência é que o padrão de consumo aumente mais ainda”, argumenta.

Também existem correntes científicas que acreditam que não é a interferência humana a causadora do aquecimento global. Para o professor Luiz Carlos Molion, meteorologista e professor da Universidade Federal de Alagoas, a Terra passa, atualmente, por um ciclo natural. A reportagem entrou em contato com o professor, que aceitou ser entrevistado por e-mail. Até o fechamento da reportagem, porém, as perguntas não foram respondidas.

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Altas temperaturas afetam comércio em município do RN

Notícia publicada no portal Mercado Aberto:

A população de Caicó tem sofrido frequentemente com as altas temperaturas da cidade. O clima seco faz os termômetros marcarem até 42ºC. Com isso, a clientela da região tem desaparecido da cidade. A presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Caicó, Íldica Vale, explica a realidade vivida no local: “As pessoas sentem tanto calor que não querem mais sair às ruas. Principalmente as crianças e os idosos, terminam adoecendo. Por isso, cautelosos, entre às 12 e 16h a cidade fica praticamente deserta”.

Vista parcial do município de Caico. (Foto: identidadejovemdm.blogspot.com)

O comércio local foi diretamente atingido com a falta de circulação das pessoas. Ainda segundo a própria Íldica, os clientes do município estão sempre em casa. Muitas das pessoas das cidades vizinhas geralmente vêm à Caicó por ser um polo da região, estão adiando seus compromissos por conta da sensação térmica insuportável. E isso está refletindo diretamente no faturamento dos comerciantes, pois as lojas estão vazias.

Como solução, a presidente do Sindivarejo Caicó pensa em reunir os empresários locais para chegarem juntos, a alguma conclusão viável para solucionar este problema: “Já pensamos em mudar o horário do funcionamento do comércio, mas não conseguimos devido ao horário dos bancos. A maioria das pessoas que transitam pela cidade, vem para resolver problemas bancários e terminam fazendo compras no comércio. Precisamos junto aos governos municipal e estadual, buscar uma solução para que não fiquemos no prejuízo”, finaliza.

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Evento propõe criação de Instituto para previsão de climas extremos

Prever a ocorrência de uma seca, estiagem, ou, no sentido inverso, uma enchente e chuvas torrenciais – todos os eventos climáticos que provocam sérios impactos na economia e na sociedade – ainda é um ponto nevrálgico para a ciência. Reunir estudiosos para superar esse desafio e conseguir antever a ocorrência dos eventos e as suas consequências é a proposta mais palatável da academia que se debruça sob as mudanças climáticas. O futuro do clima nordestino é o cerne das discussões de especialistas e estudiosos do mundo inteiro reunidos no Simpósio Internacional sobre Mudanças Climáticas, Impactos e Vulnerabilidades, que está acontecendo em Natal até o dia 1º de junho.

Cerca de 120 pesquisadores brasileiros, 30 estrangeiros e 100 estudantes de áreas afins e correlatas participam do Simpósio, que visa trazer à tona a importância do tema e constituir grupos de pesquisa que irão tratar de problemas gerados pelas mudanças climáticas e seus reflexos na economia, em particular no turismo, agricultura e saúde pública.

Dentre eles, estão a erosão costeira causada pelo avanço do mar – apesar dos registros mostrarem que o progresso marítimo é pouco perceptível, seus efeitos nas marés e ondas são acentuados; a elevação da temperatura da superfície do mar, sobre a qual não há consenso se é resultado da ação humana ou não, e seus efeitos.

Cerca de 120 pesquisadores brasileiros, 30 estrangeiros e 100 estudantes de áreas afins participam do evento em Natal (Foto: Frankie Marcone)

A perspectiva de aumento de temperatura mais otimista aponta que serão acrescidos 1 a 2 graus dentro de 50 anos – entretanto, os estudos mais pessimistas revelam que pode haver um aumento de até 5 graus no mesmo período, o que produziria resultados catastróficos, com agravamento de problemas como o aumento do nível do mar, secas e a desertificação do semi-árido.

Outra implicação preocupante no Nordeste é a intensidade da radiação solar, considerada elevada principalmente no horário do meio-dia, e os seus prejuízos para a saúde, como a ocorrência de câncer de pele, problemas de visão e a diminuição das defesas naturais do organismo.

Deste evento, emerge a ideia mais concreta e promissora para viabilizar a previsão climática de extremos da natureza: a instalação do Instituto de Ciências Climáticas, voltado para o estudo de eventos climáticos extremos, que irá compilar os estudos e os pesquisadores nacionais e internacionais, numa cooperação entre centros de pesquisa e universidades de todo o mundo.
De antemão, já estariam envolvidas instituições de alto gabarito acadêmico, como a Universidade de São Paulo (USP), e universidades do Havaí (nos Estados Unidos), Lisboa e Évora (ambas em Portugal).

Um consenso entre os especialistas presentes no Simpósio é que o Instituto deverá ser sediado em Natal, cidade considerada um verdadeiro laboratório natural para estudos.

“Estamos perto da linha do Equador, do oceano e do semi-árido, e na quina do Brasil. Reunimos todas as condições naturais mais propícias para previsões climáticas”, ressalta o coordenador do Simpósio, Francisco Alexandre da Costa, que é físico, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Climáticas da UFRN.

No âmbito do Instituto, serão aprimorados os modelos de previsão, e as ideias serão incorporadas e adaptadas aos modelos atuais. Isso ajudaria a sanar as falhas existentes nos modelos climáticos em uso.

“Os modelos climáticos falham. E principalmente na detecção de extremos. Quando se trabalha na média, na normalidade, é menos complexo. Mas quando se parte para extremos, esse é um desafio para as ciências climáticas”, pontua o coordenador científico do Simpósio, Paulo Lúcio.

A necessidade de se estabelecer espaços para pesquisas e estudos nesse âmbito é mais do que urgente. Um forte exemplo dessa emergência é a seca que vem castigando várias cidades do Nordeste, com sérias implicações na agropecuária, com ecos em todos os aspectos da economia nos estados atingidos.

“No Simpósio, vamos discutir o que estudar e como usar o conhecimento gerado. Isto nos ajudará a compreender que mudanças extremas em clima e tempo produzem um forte impacto na sociedade em que vivemos”, detalha Francisco Alexandre da Costa.

A concepção do Instituto será proposta à reitoria da UFRN, e num segundo momento, serão formalizadas as parcerias acadêmicas. Antes, segundo o coordenador do Simpósio, é fundamental estabelecer grupos de pesquisas, e criadas condições para que eles atuem, com equipamentos tecnológicos de monitoramento ambiental de ponta.

“O Rio Grande do Norte não tem um radar meteorológico moderno nem recursos computacionais avançados, que são imprescindíveis para as pesquisas”, lamenta o especialista.