Author Archives: Neli Terra

About Neli Terra

Neli Terra é jornalista dos setores jurídico e energético (renováveis, O&G), apresentadora e diretora de TV, mãe, madrasta, esposa, filha, irmã. Gaúcha. Movida por desafios.Andarilha por natureza. Apaixonada pelos animais, sonha com um mundo onde todos convivam com respeito e harmonia.

BNB injeta mais de 1 milhão no RN

Deu na Tribuna do Norte, Caderno Viver:

Um total de 64 projetos do Rio Grande do Norte foram selecionados pelo Programa de Cultura Banco do Nordeste/BNDES, para receber patrocínios da ordem de R$ 1,5 milhão em 2012. O Estado foi o primeiro da região em número de projetos aprovados, de acordo com resultado divulgado na tarde de segunda-feira, no portal www.bnb.gov.br.

Este é o melhor desempenho do RN nas oito edições lançadas desde a criação da linha de patrocínio direto à cultura do Banco do Nordeste, que, a partir de 2009, passou a contar com a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES).

Festival Literário da Pipa foi um dos contemplados no RN (foto: Rogério Vital)

Há de se observar , porém, algumas particularidades nos contemplados locais. Na área de audiovisual, por exemplo, ganhou patrocínio um único evento consolidado na área, o Festival Goiamum Audiovisual. Nenhuma produção cinematográfica foi contemplada. E há até um projeto pleiteado pelo poder público: o “Nós na Tela”, da Fundação José Augusto. O Centro de Documentação e Comunicação Popular – Cecop foi aprovado com o seu “Cinema na Escola”.

Na área de literatura, três eventos já consolidados  foram beneficiados. O IV Festival Literário da Pipa-Flipipa, a Feira do Livro de Mossoró e a II Feira de Livros e Quadrinhos de Natal – FliQ. Também estão na lista a Oficina Potiguar de Contos, de José Correia Torres Neto, e Parnamirim – Construindo a  História, de José Veríssimo de Souza. Os demais projetos literários foram propostos por escolas municipais em cidades como Major Sales, Currais Novos, Touros, Nísia Floresta e Vera Cruz.

A área de música foi a que recebeu o maior volume de fundos, sobretudo para municípios que possuem bandas, grupos instrumentais e filarmônicas, como o Quarteto de Clarinetas de Currais Novos, o 3º Festival Maestro Felinto Dantas, em Santa Cruz e a Casa Talento (Natal). Nenhum álbum autoral. Exceção é a de Antônio Ronaldo de Souza, que teve aprovado o “Novos Caetés”.

Na música indie, a  etapa Caicó do Festival de Música DoSol também foi contemplada. “Foi a primeira vez que o DoSol foi contemplado no BNB Cultural”, disse o produtor Anderson Foca.

As artes visuais e a dança tiveram as menores fatias.  Um dos aprovados foi o fotógrafo Pablo Pinheiro com “Fragmentos de uma Tradição” (circulação e diálogo).

COMISSÃO LOCAL

Para analisar os projetos, o Banco formou comissões de avaliação para as oito modalidades artísticas, cada uma composta por cinco especialistas. Do Rio Grande do Norte, participaram Diana Fontes (dança), Sávio Oliveira (artes cênicas), Josenilton Tavares (audiovisual) e Carlos Fialho (literatura).

O Programa, atualmente, tem dotação orçamentária anual de R$ 8 milhões – R$ 4 milhões provenientes de cada banco -, e abrange as áreas de artes cênicas, artes visuais, audiovisual, literatura, música, dança, patrimônio e artes integradas.

O foco é a facilitação do acesso da comunidade aos equipamentos e meios de produção de bens culturais, por isso a fatia maior geralmente é distribuída nas cidades pequenas, para o intercâmbio, formação de platéias, ampliação e democratização das oportunidades de criação, circulação e fruição dos bens culturais.

REGIÃO

Em todo Nordeste, foram selecionados 325 projetos, entre 3.284 inscritos. Entre os aprovados, 59 são de Artes Cênicas, 48 de Artes Visuais, 24 de Audiovisual, 43 de Literatura, 61 de Música, 19 de Dança, 20 de Patrimônio e 51 de Artes Integradas ou Não-Específicas.

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Idema e UFRN buscam opções contra avanço do mar

Publicado no caderno Natal da Tribuna do Norte:

O Governo do RN ainda não tem um estudo pronto sobre a problemática das causas e prevenção contra o avanço do mar na faixa costeira, que totaliza 399 quilômetros de extensão e abrange 25 municípios do RN; mas técnicos do Idema, segundo informou o subcoordenador de Gerenciamento Costeiro do órgão, oceanógrafo André Lima dos Santos, integram um grupo de trabalho da UFRN “para verificar quais as soluções viáveis” capazes de conter o avanço das águas do mar, especificamente em Ponta Negra.

Mudança na paisagem: medidas paliativas no litoral Norte do RN (Foto: Rodrigo Sena)

“Antes disso, temos que saber qual, ou quais os motivos do avanço do mar, e que tipo de sistemas de contenção é apropriado para minimizar o processo erosivo da costa”, disse o oceanógrafo, informando que o estudo sobre Ponta Negra partiu de uma provocação do Ministério Público Federal (MPF). Santos acrescentou que na gestão passada, “já em decorrência desses fatos”, surgiu a proposta de executar um plano de monitoramento da dinâmica costeira ao longo de todo o litoral: “Estamos retomando o projeto”.

André dos Santos explicou que o Idema não tem quadro técnico para executar um estudo dessa natureza, “porque não trabalha com pesquisa”, mas adiantou que há a intenção de “terceirizar uma consultoria”.  De acordo com ele, a proposta será encaminhada ao diretor-geral do Instituto, Gustavo Szilagyi, e posteriormente será submetido à aprovação da governador Rosalba Ciarlini.

O subcoordenador de Gerenciamento Costeiro ainda afirmou que esses estudos são necessários para se compreender como funciona a dinâmica costeira do RN. De posse desses dados, será possível determinar direção de ondas, ventos, correntes marinhas e os processos de erosão, “porque se uma praia perde sedimento, ocorre a deposição de areias em outro local”.

Segundo ele, em 2009, quando a erosão atingiu o litoral Norte, ainda não se tinha subsídios e informações técnicas sobre o evento natural. “Já em 2010, um grupo de pesquisadores da UFRN fez um levantamento sobre os processos erosivos na região de Areia Branca, Tibau e em Guamaré, que auxiliaram a Petrobras garantir a segurança dos dutos de petróleo enterrados naquela área”, lembrou.

Além desses municípios, da chamada Costa Branca, o oceanógrafo disse que o grupo de trabalho da UFRN também investigou as causas do avanço do mar na praia de Pipa, em Tibau do Sul.

“Com base nisso”, reafirmou Santos, “fez-se a proposta de um estudo mais amplo”, porque em princípio só havia estudos técnicos isolados. “Acredito que a nova  proposta será aceita, principalmente com a intensificação do processo de erosão da zona costeira”.

PROJETO BENEFICIA GALINHOS E BAÍA FORMOSA

O avanço do mar não será contido, unicamente, por obras engenharia: o trabalho é muito menos de concreto e mais subjetivo, como a conscientização das pessoas quanto a ocupação dos chamados terrenos de marinha. A superintendente do  Patrimônio da União no RN, Yêda Cunha de Medeiros Pereira, disse que o avanço do mar “não se resolve apenas com obras físicas”, além disso é preciso se fazer “um estudo preventivo da dinâmica marinha”.

Yêda Cunha retornou, no fim da tarde de ontem, do município de Galinhos, a cerca de 154 km a noroeste de Natal, onde a SPU-RN está implementando, em parceria com a prefeitura local, o “Projeto Orla”. A superintendente da SPU-RN disse que há um mês foram delimitada, em Galinhos, as áreas que não podem ser ocupadas e onde precisa recuar, inclusive próximas ao rio. “Nós entregamos ontem o mapa de delimitação da área e vamos fazer também a regularização fundiária das áreas já ocupadas”. Yêda Cunha avisou que foram instalados piquetes pintados de vermelho identificando as áreas da União; “e quem ocupar será removido”.

Em Baía Formosa, litoral Sul, na área costeira já evacuada devido o avanço do mar, o “Projeto Orla” será urbanizada, inclusive com a construção de calçadões, estacionamento, praças e espaço para a prática de kitesurfe. Em Tibau do Sul e Pipa, também serão retiradas as atuais barracas para execução de um projeto de turismo sustentado, cujos recursos estão garantidos pelo Prodetur. “Vai dar dignidade as pessoas que trabalham lá em condições precárias”, disse Yêda, explicando que os projetos só são aprovados depois de implantado o esgotamento sanitário.

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MP acusa cinco da Operação Assepsia

Publicado no caderno Natal, da Tribuna do Norte:

Cinco das oito pessoas detidas durante a Operação Assepsia, que investiga fraudes na contratação de organizações sociais para gerir unidades de saúde em Natal, já foram denunciadas pelo Ministério Público Estadual. O MPE enviou à Justiça na semana passada duas ações penais, cada uma contra três pessoas. Como a ação corre em segredo de justiça, os promotores do patrimônio público disseram não poder dar informações sobre o conteúdo do procedimento.

 As denúncias foram enviadas no último dia 11. No processo de número 01255525-40.2012.8. 20.0001 são acusados Alexandre Magno Alves de Souza, Rosimar Gomes Bravo e Oliveira e Antonio Carlos de Oliveira Júnior. Já no processo  0125526-25.2012.8. 20.0001, além de Rosimar Gomes Bravo e Oliveira,  são acusados Thiago Barbosa Trindade e Tufi Soares Meres. Segundo informações dos processos, as acusação giram em torno do crime de “corrupção passiva”. Uma decisão da 7a. Vara Criminal foi registrada na última sexta-feira, mas não há informações no sistema da Justiça sobre o seu conteúdo. Nas ações propostas, o ex-secretário Antonio Luna não está incluído.A partir de agora, os cinco personagens denunciados pelo Ministério Público Estadual deixam de ser suspeitos para se tornarem acusados. Segundo a Assessoria de Comunicação do MPE, os fatos relatados nos dois processos ainda não são as denúncias principais envolvendo as supostas fraudes da Operação Assepsia e ressaltou que não há data definida para a entrega do processo principal à Justiça.

As informações oficiais dão conta de que, a respeito das fraudes nos contratos dentro da Secretaria Municipal de Saúde, haverá três processos distintos: um para a suposta fraude de contratação do Instituto Pernambucano de Assistência e Saúde (Ipas) para a gestão da Upa de Pajuçara; outro para a contratação do ITCI, que geriu o programa da dengue em Natal; e o último para a contratação da Marca para gerir a UPA de Pajuçara e os ambulatórios médicos especializados.

Alexandre Magno está detido na sede do Comando da Polícia Militar (foto: Aldair Dantas)

INVESTIGAÇÃOAs investigações do Ministério Público Estadual sobre as atividades das organizações sociais junto ao Município de Natal apontam para a suspeita da prática de pelo menos oito crimes: peculato, corrupção passiva, advocacia administrativa, corrupção ativa, quadrilha, falsidade ideológica, uso de documento falso e fraude aos procedimentos licitatórios.

Há fortes indícios, segundo o MPE, de que a escolha e a contratação das entidades investigadas se deu de forma irregular, sem licitação e a partir de prévio acordo entre empresários e gestores públicos.

Na decisão judicial que determinou a prisão dos acusados, ainda no fim do último mês de junho, o juiz da 7a. Vara Criminal, José Armando Ponte, se pronunciou de forma contundente a respeito dos indícios apresentados pelos promotores na investigação. Em vários momentos, o magistrado, mesmo fazendo a ressalva de que não há pré-julgamento, afirma que os indícios são muito fortes. “Sinto-me compelido a concluir que são fartos, abundantes, incisivos, e até mesmo exagerados, os indícios que apontam para o desvio de recursos públicos por meio dos contratos com as organizações sociais”, afirma o juiz.

RECURSOS

Além disso, as prestações de contas do Ipas, do ITCI e da Marca na gestão das unidades de saúde supostamente contém superfaturamentos, notas fiscais falsas e suspeitas. Segundo o procurador geral de Justiça, Manoel Onofre Neto, foram bloqueados, segundo determinação da Justiça, R$ 22 milhões das empresas e pessoas  investigadas referentes a prestações de contas suspeitas coletadas pelos promotores do Patrimônio Público, que vem investigando o caso desde março do ano passado. Esse valor corresponde a cerca de 30% dos R$ 65 milhões que todos os contratos com O.S.s movimentou.

PROCURADOR PRESO PRESTA DEPOIMENTO A PROMOTORES

Após mais de 15 dias preso no quartel do Comando da PM, o procurador municipal Alexandre Magno de Souza Alves prestou depoimento ontem ao Ministério Público Estadual. Foi a primeira vez que Alexandre falou com a promotoria do Patrimônio Público, responsável pela investigação. Como o processo corre em segredo de justiça, promotores e advogados, além do próprio Alexandre, não deram informações sobre o conteúdo do depoimento.

O procurador saiu do Comando da PM pouco antes das 16h.  Quatro policiais militares, do Batalhão de Choque, foram os responsáveis pelo trânsito do acusado desde o quartel até a sede da promotoria do Patrimônio Público. Ao chegar ao MPE, Alexandre Magno disse que não daria nenhuma declaração porque ainda está preso. “Só vou falar quando for solto”, disse. Depois, o procurador seguiu para prestar informações ao promotor Emanuel Dhayan.

O depoimento durou cerca de 40 minutos. Na saída, Alexandre Magno disse que não poderia entrar em detalhes sobre a conversa com o promotor, por conta do segredo de justiça que envolve todos os processos aos quais responde. “Não posso falar por conta do segredo de justiça”, disse. De acordo com fontes, o depoimento já havia sido marcado anteriormente pelo menos duas vezes, sendo continuamente adiado.

Alexandre Magno de Souza Alves é tratado na investigação do MPE como membro do núcleo que articulou as supostas fraudes na contratação das O.S.s. Embora não estivesse cedido à Secretaria Municipal de Saúde, o procurador tinha, segundo a investigação, livre acesso ao então secretário de Saúde, Thiago Trindade, de quem seria uma espécie de “mentor”. Alexandre também foi cedido para a Secretaria Estadual de Saúde, onde, pouco depois, uma das entidades investigadas (Associação Marca) foi contratada.

O trâmite burocrático que possibilitou a contratação das Organizações Sociais também foi, de acordo com os dados coletados e divulgados pelo Ministério Público Estadual, arquitetado por Alexandre Magno Alves. É atribuído ao procurador e ao ex-secretário de Saúde o direcionamento da contratação dessas organizações sociais.

Também é atribuído pelo MPE a ele o recebimento de supostas vantagens indevidas, como pagamento de uma dívida com hotel no Rio de Janeiro e a contratação de uma empresa para realizar Assessoria de Comunicação para a Marca supostamente ligada ao procurador.

DENÚNCIAS RESULTARAM NA PRISÃO DE OITO

A gestão de unidades de saúde por O.S.s em Natal está sob suspeita desde que o Ministério Público do Rio Grande do Norte, por meio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da Comarca de Natal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou no último dia 28 de junho, a Operação Assepsia, que investiga a contratação de supostas organizações sociais pelo Município de Natal, com atuação na área da saúde pública.

Ao todo, oito mandados de prisão foram expedidos. Estão entre os presos o secretário de Planejamento de Natal, Antônio Luna, e o ex-secretário de Saúde Thiago Trindade. Até o momento, somente dois estão foragidos: o procurador do município Alexandre Magno Alves de Souza (que informou que vai se entregar) e o empresário Tufi Soares Meres, que estaria no Rio de Janeiro.

Dentre os presos, Alexandre Magno de Souza é o único ainda em preso em Natal. No Rio de Janeiro, Rose Bravo e Antonio Carlos Júnior, dirigentes da Marca, também estão presos. O ex-secretário de Planejamento Antonio Luna, Thiago Trindade e o ex-coordenador financeiro,  Francisco de Assis Rocha, foram soltos pela Justiça.

QUEM É QUEM

A função de cada um dos denunciados está relatada na petição do MPE. Essa é, segundo o MP, o papel dos denunciados no suposto esquema, o que possibilitou a Operação Assepsia. Além de Alexandre Magno de Souza, são esses os denunciados:

TUFI SOARES MERES

É tratado como uma espécie de “sócio oculto” da Marca, o responsável por fazer a ponte entre a dita OS e a Secretaria Municipal de Saúde. Na petição do MPE, Tufi Meres é chamado de “chefe da organização criminosa”. Próximo a Thiago Trindade e Alexandre Magno, ele supostamente articulou e discutiu os termos do contrato com a Marca com a SMS. Depois de oficializar o contrato, teria utilizado empresas de parentes e de pessoas ligadas a ele para prestar serviços à Marca na gestão das unidades de saúde.

ROSIMAR GOMES BRAVO

É tratada como a fundadora da Marca, embora oficialmente Mônica Simões Araújo seja a responsável pela OS. Dentro do suposto esquema, é considerada a pessoa que gerenciava e executava as diretrizes traçadas por Tufi Soares Meres.

THIAGO BARBOSA TRINDADE

Segundo informações da petição do MPE, o suposto esquema de fraude passou a ser operado após a chegada do ex-secretário seria o marco do início da “sangria de dinheiro” na Secretaria de Saúde. Ele foi o gestor responsável por implementar os primeiros contratos de gestão na SMS, agendando visitas a Organizações Sociais e, segundo a investigação, supostamente direcionando a escolha das entidades que depois passaram a prestar serviços ao Município de Natal.

ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA Jr

É marido de Rose Bravo e um dos fundadores da Marca. Repartia os “lucros” da OS com sua esposa. Também era responsável por executar as diretrizes e ordens de Tufi Soares Meres.

Hospital Ruy Pereira (foto: Tribuna do Norte - Aldair Dantas)

Sem remédios e equipamentos, hospital do RN tem surto de superbactérias e mortes

A contaminação de pacientes por superbactérias está preocupando médicos e pacientes do Hospital Estadual Ruy Pereira, em Natal (RN). A unidade, inaugurada em outubro de 2010, tem cerca de 85 leitos e é referência no atendimento a pacientes com problemas vasculares no Rio Grande do Norte. Na unidade são realizadas cirurgias eletivas e internações –há no local uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com quatro leitos.

Por conta da crise na saúde –com desabastecimento dos hospitais, greve dos médicos e falta de leitos nas unidades– ogoverno estadual decretou calamidade pública na urgência e emergência de todo o Estado no último dia 4. O poder público pretende resolver os principais problemas do setor em 180 dias –prazo de validade do decreto.

Segundo profissionais ouvidos pelo UOL, o hospital Ruy Pereira não possui equipamentos adequados para tratar pacientes com infecções, o que leva a proliferação de bactérias de difícil tratamento.

No dia da visita da reportagem ao local, na última quinta-feira (12), o médico plantonista Pedro Raimundo Souza contou que foram registradas duas mortes de pacientes por infecção de superbactérias. “Essas mortes estão ligadas às condições precárias do hospital”, disse, relatando uma série de problemas na unidade.

Hospital Ruy Pereira (foto: Tribuna do Norte - Aldair Dantas)

Hospital Ruy Pereira (foto: Tribuna do Norte – Aldair Dantas)

Segundo o médico, duas superbactérias estão contaminando vários pacientes do hospital: a acinetobacter e a pseudomonas. Há falta de antibióticos para combater as infecções.

“Quando fazemos o teste e é apontada uma superbactéria nós fazemos o isolamento do paciente em uma enfermaria. Mas acontece que, devido à insuficiência de equipamentos e instrumentos, que são compartilhados com todos os pacientes, a bactéria sai passando de um para o outro”, explicou Souza, citando que as duas bactérias são bastante resistentes a tratamentos. “É difícil o tratamento. O melhor remédio muitas vezes não faz efeito. A gente luta, mas na maioria a gente perde para a acinectobater.”

O médico afirmou ainda que a bactéria fica mais resistente porque ocorrem faltas rotineiras de medicamentos para o tratamento. “O que ocorre também é que ministramos, por um determinado tempo, o antibiótico, mas o paciente fica sem a defesa. Quando o tratamento é interrompido, devido à falta da medicação, a bactéria fica mais resistente.”

O médico plantonista Luciano de Morais Silva afirma que a UTI do hospital também sofre com o desabastecimento e desaparelhamento. “A gente está sem exame de raio-x há um ano. Todo paciente aqui a gente drena o tórax, acompanha com pneumonia, coloca e tira do respirador sem ter um exame. Ou seja, a gente faz tudo como herói, vendo apenas clinicamente.”

O filho de um paciente de 70 anos, que não quis revelar o nome, relatou que o pai pegou duas superbactérias e está em estado grave. “Ele tem úlcera e foi internado. Depois, foi diagnosticado com infecção. Fizeram exame e foi detectado um tipo de superbactéria, e ele agora pegou outra aqui, nesse hospital”, afirmou.

Sem equipamentos e material

A contaminação em série, segundo os profissionais ouvidos pela reportagem, é causada pela falta de equipamentos para garantir o isolamento completo de contato. No hospital, faltam tensiômetros e otoscópios individualizados para os pacientes infectados. Termômetros também são considerados “artigos de luxo” na unidade. “Aqui, a gente faz que nem no interior: bota a mão e vê se está quente”, disse uma auxiliar de enfermagem.

Os profissionais se queixam da falta de luvas, máscaras e até da escassez de lençóis. Além disso, muitas vezes falta álcool em gel para higienização.

“É o atendimento deles [pacientes] que fica prejudicado, porque a gente precisa priorizar esses cuidados, mas temos também que pensar na nossa segurança. Infelizmente não temos como trabalhar sem material, sem o mínimo de condições”, disse Ivânia Martins, técnica de enfermagem da UTI.

Com superlotação, pacientes do maior hospital do Rio Grande do Norte, o Walfredo Gurgel, em Natal, acabam sendo atendidos nos corredores (foto divulgação/Sindicato dos Médicos do RN)

Medidas

UOL encaminhou questionamentos à Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte na manhã da segunda-feira (16), mas até o fechamento dessa matéria não recebeu resposta.

Segundo o “Plano de Enfrentamento dos Serviços e Urgência e Emergência do Rio Grande do Norte”, divulgado no último dia 4, quando decretou calamidade, o hospital Ruy Pereira deve ganhar mais 25 leitos até o início de agosto, assim como outras seis vagas de UTI em 90 dias. Com isso, a unidade deve ajudar a desafogar o hospital Walfredo Gurgel, referência no atendimento em urgência e emergência em Natal.

Sobre a falta de medicamentos, insumos e equipamentos, o governo também informou que vai investir R$ 5 milhões para garantir o “abastecimento imediato das necessidades básicas dos hospitais da rede pública estadual”.

O governo do Estado informou ainda que os gestores da área metropolitana de Natal já foram convocados para pactuar medidas para a rede de urgência e emergência.

Segundo o secretário Nacional de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães, o plano elaborado para o Estado deve resolver o problema em médio prazo e “mudar por completo” o cenário de caos da saúde.

“Decretar calamidade foi uma atitude debatida conosco [do Ministério da Saúde] e uma ação corajosa e determinada do governo do Estado. Com isso, teremos várias contratações de leitos, relocação de pessoal, obras estruturantes agilizadas, pois a situação é grave, e a população está sofrendo muito. Nós temos um plano em curto, médio e longo prazos. É um plano muito bem elaborado e acreditamos que o Estado vai dar uma virada”, finalizou.

PM do RN renova equipamento e frota. Pagamento de subsídios ainda está pendente.

Deu na coluna de Eliana Lima, na Tribuna do Norte:

A Associação de Praças da Polícia Militar  articula uma movimentação para cobrar da governadora o cumprimento do acordo que implanta o subsídio para a categoria já neste mês. Os policiais militares não gostaram nada de lerem na imprensa a declaração da chefe Rosa(do) dizendo que iria se reunir com a equipe de Governo para definir quando começará o pagamento.

E ainda, sobre a Polícia Militar:

Em um rasante pelo Tirol, o Zangão trouxe a noticia de que a Polícia Militar do Rio Grande do Norte adquiriu 164 carros Sandero, comprou R$ 1 milhão em munição para pistola e ainda 3 mil coletes.

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Na rota do caranguejo

Ele não é exatamente o que podemos chamar de um bichinho simpático. Além da aparência estranha, ainda vive na lama. Isso aliado ao fato de que para comê-lo você precisa arrancar e quebrar patas, e muitas vezes se sujar um pouquinho.

Para algumas pessoas é motivo suficiente para se manter longe do caranguejo. Ou talvez apreciar no máximo um ensopado, onde já tiveram o trabalho de separar a carne previamente. Mas para muitos, o caranguejo é uma iguaria deliciosa e insubstituível. Se debruçar sobre um prato de caranguejos inteiros chega a ser terapêutico e comer é um verdadeiro ritual. Para os amantes do crustáceo a TRIBUNA DO NORTE elaborou a “Rota do Caranguejo”, com os melhores lugares para apreciar a iguaria. Bom apetite!

BAR DO SUVACO

Foto: Ana Silva

O Bar do Suvaco tem dado o que falar com o caranguejo suculento e bem temperado que oferece. As atenções são divididas com o “primo”, o goiamum. Adalberto Júnior conta que traz seu caranguejo de Macau, mas o goiamum é de casa. Ele cria em torno de 200 para engorda. Com quatro anos de existência, o “Suvaco”  conquistou uma clientela expressiva graças ao crustáceo. O pirão, feito do próprio caldo do caranguejo, é opcional, acompanhando também farofa e vinagrete. O caranguejo no Suvaco custa R$ 4,00.  Rua extremoz, 48, Nova Parnamirim. Aberto de 3º a domingo. De 3º a 6º das 16h a 0h. Sábado e domingo das 11h às 20h.

 

BARRACA DO BANGA
Há 40 anos a Barraca do Banga é um paraíso da gastronomia à beira do rio de Pirangi. O caranguejo, é claro, é uma das estrelas do cardápio. Ele divide o espaço com camarões, lagosta e as famosas tapiocas, mas é o rei na preferência dos clientes. O descanso na rede após a refeição é cortesia da casa. Rua do Poço, 28, Pirangi do Sul.

Abre todos os dias das 10h até o último cliente.

O caranguejo custa R$ 4,00.

BARRACA DO CARANGUEJO

Foto: Luciana Brasil

A barraca do caranguejo fazia sucesso alguns anos atrás em Ponta Negra como uma barraquinha à beira-mar, especializada em caranguejo. Depois subiu a calçada, para o lugar onde está até hoje, na Av Erivan França, orla de Ponta Negra. Tem patola, casquinho e ensopado de caranguejo.

Por estar localizada na praia que é o principal destino dos turistas que chegam à Natal, o ferece uma programação de música regional, capoeira e shows de repentista.  Av Erivan frança (Orla de Ponta Negra). Abre todos os dias, das 11h30 às 23h30. O prato com três caranguejos no coco custa 13,99 e na água e sal, R$ 11,99.

CIA DO CARANGUEJO
Pioneira no serviço de delivery de caranguejo, a Cia do Caranguejo abriu as portas há seis anos com a proposta de vender caranguejo em horário mais amplo: “Eu trabalhei em um restaurante que vendia caranguejo aqui durante nove anos. Certo dia fiz uma viagem para Recife e vi que as pessoas lá tinham o hábito de sair à noite para comer caranguejo, coisa que não acontecia por aqui. Apostei que poderia dar certo esse novo horário, e trouxe a ideia pra cá. Também colocamos o serviço de entrega, e até hoje tem dado muito certo”, explica Weidson Gomes, proprietário do local.

Além do caranguejo a Cia tem também o Goiamum, que é “cevado” (alimentado para engordar) no próprio local. O cliente pode escolher o goiamum que quer comer e o prato é preparado na hora.

O caranguejo servido no restaurante vem da Paraíba, Patola de caranguejo à milanesa, ensopado e bolinho de caranguejo são outros destaques do cardápio.

Na terça feira tem rodízio de caranguejo. Por um valor fixo o cliente pode comer quantos quiser. Além do pirão, da farofa e do vinagrete que acompanham os caranguejos.

Av Romualdo Galvão, 3486A, Lagoa Nova. Terça a sexta de 17h a meia noite. Sáb, dom e feriado das 11h às 22h. O caranguejo no coco ou na água e sal custa R$ 4,00.

Na terça-feira o rodízio de caranguejo é R$ 20,00. Inclui pirão, farofa e vinagrete.

BARRAMARES

Praia de Cotovelo/RN (foto: Luciana Brasil)

De longe já se entende que a especialidade do local é caranguejo: a fachada é decorada com imagens gigantes do crustáceo. Lá dentro o caranguejo é servido com pirão, farofa e vinagrete.

Uma iguaria exclusiva do Barramares faz sucesso entre os clientes: o casquinho de caranguejo que é totalmente comestível. Trata-se da carne ensopada servida em um “casquinho” feito de massa de pastel.

A patola de caranguejo à milanesa com molho rosé é outro destaque.

Além do restaurante de Cotovelo, o Barramares abriu uma filial no litoral norte, na praia de Santa Rita. Como promoção de inuaguração, o caranguejo está custando R$ 1,99 no novo Barramares. E a caipirinha também tem 40% de desconto.

Av Cotovelo, S/N, Praia de Cotovelo. Aberto de 3º a Domingo das 9h às 17h. O caranguejo custa R$ 3,85. No litoral norte o Barramares fica na Estrada da Redinha, próxima ao Aquário Natal e o caranguejo custa R$ 1,99.

BALADA BAR
Com um ano e oito meses de funcionamento, o Balada Bar já conquistou uma clientela fiel que aprecia o caranguejo da casa. Um dos sócios da casa, Gustavo cabral diz que o sucesso se deve ao tempero e à escolha dos caranguejos:

“Nosso caranguejo no coco é muito procurado. Além disso temos o cuidado de escolher os caranguejos maiores, que os clientes gostam muito”, afirma Gustavo.

O caranguejo da casa vem de Canguaretama, Guamaré, da Paraíba e as vezes até do Piauí.  O Balada oferece também patola, ensopado e escondidinho de caranguejo.

BAR DO GALEGO
Pra quem gosta de comer caranguejo à beira-mar, o Bar do Galego é o lugar. O bar existe há 40 anos, mas faz apenas 3 anos que incluiu o caranguejo no cardápio. Rapidamente o lugar ganhou fama e conquistou novos clientes.

À beira mar em tabatinga (depois da igrejinha, vira à esquerda em direção ao mar). Aberto todos os dias das 8h às 18h. O caranguejo custa R$ 3,00.

NO CENTRO: 294

Foto: Rodrigo Sena

Localizado em Petrópolis, o 294 é o preferido de quem quer apreciar um bom caranguejo mas não quer ir muito longe. O restaurante existe desde 1990. No fim do dia é comum ver grupos de amigos que elegem o crustáceo como estrela do happy hour. Na terça-feira o caranguejo é duplo: você pede um e ganha outro.

Além disso o 294 oferece casquinho, ensopado e pastel de caranguejo. E a novidade que está conquistando a clientela: o arroz de caranguejo.

Av Deodoro da Fonseca, 294, Petrópolis. Terça a sexta das 11h às 23h. Sáb das 11h às 20h e dom das 11h às 18h. O caranguejo custa R$ 3,50 no coco e R$ 3,20 na água e sal.

CARANGUEJO ESTÁ SENDO PESCADO CADA VEZ MAIS LONGE
Ao mesmo passo em que os potiguares adoram comer caranguejo, o crustáceo continua a desaparecer do Rio Grande Norte.
A escassez do caranguejo acompanha o movimento de extinção dos mangues. A partir da década de 90, grandes extensões de manguezal passaram a ser substituídas por viveiros de camarão aqui no estado. Além disso, em áreas próximas ao viveiro os caranguejos não conseguem sobreviver.

“O caranguejo é um predador natural da larva do camarão, então os criadores colocam aditivos na água para impedir a reprodução dos caranguejos”, explica o coordenador do movimento SOS Mangue, Rogério  Câmara.

Nos arredores de Natal hoje em dia é praticamente impossível encontrar caranguejos. O estuário do Potengi já não é mais  o mesmo. Realidade bem diferente da que existia na cidade nos anos 80. Menos de vinte anos atrás as cordas de caranguejo eram postas à venda em vários pontos da cidade, afinal, era fácil “catar” os caranguejos do mangue do Potengi.

Os bares e restaurantes que servem caranguejo conseguem ainda comprar de catadores que vivem em áreas de manguezal em Macau, Porto do Mangue, Diogo Lopes e região próxima. Aquela área é hoje o último refúgio do caranguejo no Rio Grande do Norte.

Alguns restaurantes já estão recorrendo a estados próximos, como a região do Rio Tinto, na Paraíba.  Outros chegam a comprar de fornecedores mais distantes, como alguns que vêm do Piauí.

Apesar do quadro cruel, Rogério Câmara explica que o processo é reversível. O mangue, considerado um berçário natural e incubadora de todo o ecossistema marinho, pode se regenerar. Sem a interferência humana, em uma década pode-se recuperar um manguezal. Mas também é possível acelerar o processo plantando sementes. A condição para que isso aconteça é a saída dos viveiros de camarão das áreas de mangue.

“Caranguejo e viveiros de carcinicultura jamais poderão conviver no mesmo ambiente. O viveiro acaba não só com o caranguejo, desequilibra todo o ecossistema do mangue. Só com a saída desses viveiros poderíamos recuperar o mangue”, conclui.

TOCA DO CARANGUEJO
A história da Toca começa com uma família apaixonada por caranguejo. Gerson Lucena, o proprietário, conta que no início dos anos 90 ele e os familiares eram apreciadores de caranguejo, e sentiam falta de um restaurante que oferecesse o crustáceo. A avó dele já tinha um restaurante em João Pessoa, onde vendia um caranguejo que fazia muito sucesso. A família resolveu então abrir o negócio em Natal. “A receita do nosso caranguejo no coco é amesma desde 93 quando abrimos a Toca. Foi criada pela minha avó”, conta Gerson.

Deve estar aí o segredo do sucesso. A Toca do Caranguejo já mudou de endereço algumas vezes, e agora está em Ponta Negra, em frente ao estádio do ABC. Mas independente do CEP, é sempre casa cheia. Em quase 20 anos de funcionamento, eles acompanharam o sumiço do caranguejo dos mangues de Natal e tiveram que se adaptar para manter o cardápio.

“Hoje nós trabalhamos o ano todo com pescadores de canguaretama, Diogo Lopes, Porto do Mangue e Macau. Vou a esses lugares três a quatro vezes por semana escolher o caranguejos, e mantemos essa parceria o ano inteiro para garantir o abastecimento constante”, explica Gerson. A Toca oferece também casquinho e ensopado de
caranguejo.

Rodovia Rota do Sol, Ponta Negra. Aberto todos os dias. 2ª, 3ª, sáb e dom das 10h às 18h. 4ª e 6ª feira das 10h às 21h. R$ 4,00 (ao coco ou na água e sal).

LAMPARINA BAR
Conhecido pela comida regional nordestina, o Lamparina também está fazendo fama com o caranguejo. O restaurante tem também um tanque onde mantém os goiamuns que são preparados pela chef Ruteana Costa. Na quinta-feira a casa fica cheia para a “Quinta do Goiamum”. O preço atrai: de R$ 4,50 nos dias normais, o goiamum vai para 2,50 na quinta-feira.  Rua Des Gomes da Costa, 1953, Capim Macio.

Aberto de 5ª a sábado, das 17h à meia-noite.

CAXANGÁ

Foto: Junior Santos

Em Pipa, é possível comer um caranguejo delicioso, na melhor paisagem que a natureza pode proporcionar. Localizado à beira-mar, o restaurante tem o caranguejo como um dos principais atrativos. O crustáceo é preparado na hora. O cliente escolhe os caranguejos ou goiamuns ainda vivos, e toma um drink enquanto o prato é preparado. A receita é tradicional, na água e sal. O Caxangá não serve caranguejo no coco. Orla da Praia da Pipa, 16. Aberto todos os dias das 9h às 18h. O caranguejo custa R$ R$ 3,00.

CIA DO CASQUINHO
Não é o caranguejo inteiro, mas o casquinho da Cia do Casquinho tem fama e fãs. Preparado por Célia Barbosa, o segredo é o tempero com leite de coco na medida certa. De 6ª a domingo é possível conferir o sabor do casquinho no Bar do Mário, cujo proprietário é o marido de Célia. Para quem quiser levar o sabor pra casa, a Cia do Casquinho também recebe encomendas.

Encomenda de casquinhos pelo telefone 3222 9243. O Bar do Mário, onde o casquinho é servido fica na Av Jaguarari, S/N, Barro vermelho.

Janduís – Um oásis cultural no sertão

O município de Janduís, localizado a cerca de 280 km de Natal, pode ser considerado como um pequeno oásis de arte e Cultura encravado no Médio Oeste potiguar. Prestes a completar meio século de emancipação política no próximo dia 12 de junho, a cidade está entre as mais adiantadas no Rio Grande do Norte em termos de políticas públicas para o setor e já faz parte da seleta lista das cidades brasileiras que cumpriram todas as etapas determinadas pelo Ministério da Cultura para formalizar adesão ao recém-aprovado Sistema Nacional de Cultura, que tramitava há sete na Câmara Federal em Brasília e foi votado no último dia 30 de maio.

Escambo Livre de Rua surgiu em Janduís em 1991, e hoje tem conexões em todo o país. Além de receber grupos de outros Estados, também é visitado por diretores e dramaturgos como Amir Haddad (foto: Raildon Lucena)

Com pouco mais de cinco mil habitantes, Janduís assistiu o surgimento do Escambo Popular Livre de Rua em 1991, projeto que evidencia o teatro de rua, poesia, cinema, circo e grafite, e que hoje têm representantes em quase todos os estados do país; e se destaca por ter aprovado um Fundo Municipal de Cultura que utiliza 1% do orçamento (ou cerca de R$ 130 mil). Também formatou um Conselho Municipal de Cultura; mantém a Fundação Cultural Mestre Dadá, nome de um capoeirista querido da cidade falecido há quatro anos; incentiva o debate através de um Fórum; e a previsão é que ainda este ano seja aprovado o Plano Municipal de Cultura – projeto executivo que irá guiar o Sistema Municipal pelos próximos dez anos.

Lindemberg Bezerra, presidente da Fundação Cultural Mestre Dadá

“Tudo o que está acontecendo é fruto de uma articulação antiga, reivindicação que ganhou força nos últimos quatro anos quando os artistas se uniram e foram para as ruas pressionar os vereadores para aprovar leis em favor da Cultura”, disse Lindemberg Bezerra, ator do grupo de teatro Ciranduis e presidente da Fundação Cultural que cumpre o papel de Secretaria. “Felizmente os parlamentares entenderam nossos pedidos e os projetos estão sendo aprovados sem maiores problemas, estão respeitando nosso trabalho de mais de 20 anos”, acredita Bezerra.

Além dos R$ 130 mil garantidos para o Fundo, o orçamento da Cultura no município pode chegar à R$ 800 mil, um índice que pode chegar a até 4% do orçamento municipal. “Esses recursos são para manutenção da Fundação, folha de pagamento de pessoal, entre outras atividades”, enumerou Bezerra, salientando que toda a verba do Fundo é canalizada para financiar a produção artística. “Os editais estão sendo elaborados em conjunto, entre membros do Conselho, da Comissão Gestora, do Fórum Municipal e Pontos de Cultura”, informou.

Detalhe importante: a comissão gestora do fundo de cultura conta com nove membros, sendo seis da sociedade civil e três indicados pelo poder público; já o Conselho mantém cinco representantes da sociedade civil e quatro do poder público. “A Fundação só participa da gestão do Fundo, pois está previsto em lei, mas não interfere no Conselho”, ressaltou Lindemberg.
A partir do quadro explicitado, Janduís serve como exemplo a ser seguido pelo Estado, pela capital potiguar e por outros municípios do RN.

Grupo Ciranduis de teatro de rua é um dos articuladores do Escambo

O movimento cultural em Janduís foi tema de reportagens com repercussão nacional

CASA DA DISCÓRDIA
Como nem tudo é perfeito, a Casa de Cultura Vapor das Artes vem sendo alvo de uma disputa política que em nada contribui para o fortalecimento cultural da cidade. Criada em 2005, a Casa ainda não foi inaugurada oficialmente pelo Governo do RN e não passou por nenhuma manutenção em sua estrutura desde então.”A Casa de Cultura funcionou normalmente até fevereiro deste ano”, informou Joana D’Arc, responsável pelo setor que cuida das Casas na Fundação José Augusto.

Ela explicou que a situação se complicou quando foram nomeadas duas novas agentes culturais. “Não houve entendimento entre as novas gestoras e o grupo de Lindemberg, que mantinha Ponto de Cultura e promovia atividades na Casa, e isso comprometeu o funcionamento do equipamento. Estamos trabalhando para reverter essa situação”, concluiu Joana.

Prefeitura de Natal assina contrato emergencial de mais de R$ 2,6 milhões

O blog Panorama Político, de Ana Ruth Dantas, traz nessa quinta-feira de Corpus Christi a seguinte nota:

A Prefeitura Municipal de Natal assinou mais um contrato de locação de mão de obra. Dessa vez foi a Secretaria Municipal de Educação. Com dispensa de licitação, na justificativa de “contrato emergencial”, o secretário Walter Fonseca assinou três contratos com empresas de locação de mão de obra. Juntas as negociações somam mais de R$ 2,6 milhões . O prazo dos serviços é de quatro meses.

Com a empresa Clean Locação de Mão de Obra Ltda. O contrato é no valor de R$ 780.169,20. Com a empresa CM3 Construções e Serviços Ltda. a negociação chega a R$ 1.405.813,32. A Limpia Recursos Humanos Ltada ME foi contratada pelo valor de R$ 591.675,66.

Todos os contratos foram iniciados no dia 2 de maio e irão até 31 de agosto.

Brasil é o 21º no ranking dos produtores de energia eólica



Enormes cataventos produzem a energia eólica, a energia elétrica a partir do vento. Hoje já são 12 milhões de pessoas atendidas por essa fonte de energia.

É uma energia limpa – sem queima de combustível, renovável e cada vez mais barata. O preço do megawatt/hora da eólica já é quase igual ao das hidrelétricas, a fonte de energia mais barata do Brasil, e custa menos que o gás natural.

A utilização de aerogeradores, para produção de energia elétrica, ganhou força durante a Segunda Guerra Mundial. Era a forma de os países economizarem combustíveis fósseis. A guerra acabou e a eólica ficou em segundo plano.

Mas na década de 70, com a crise do abastecimento de petróleo, alguns países se viram obrigados a pesquisar fontes alternativas de energia. No Brasil, o primeiro aerogerador só foi instalado em 1992, em Fernando de Noronha, mas foi a partir de 2005 que o parque eólico brasileiro cresceu significativamente.

Nos últimos sete anos, a capacidade instalada aumentou 54 vezes. Foi a que mais cresceu no mundo. Muito pelas características do vento no Brasil, um dos melhores do planeta.
“Quando não tem vento você tem que ter alguma outra fonte gerando. Qual é a beleza do Brasil? É que o Brasil que tem um grande parque hidrelétrico, a hidrelétrica e eólica elas se complementam entre si”, explica o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim.

O Brasil ocupa hoje a 21º posição no ranking dos países produtores. O primeiro é da China. Depois vem os Estados Unidos, Alemanha, Espanha e Índia. Isso só para citar os cinco primeiros. O Brasil tem 71 parques com quase mil aerogeradores, alguns da altura de um prédio de 50 andares, em nove estados. Temos nove fábricas de aerogeradores e já exportamos. Um aerogerador custa entre R$ 4,5 milhões e R$ 5 milhões.

Para ter direito a financiamento do BNDES, com juros atraentes, as empresa do setor eólico precisam assegurar a utilização de no mínimo 60% de peças e acessórios nacionais, fabricados no Brasil. A medida estimulou a geração de emprego e renda. O setor já emprega 12 mil pessoas.

Um dos maiores complexos de energia eólica fica em Água Doce, Santa Catarina. São 86 torres. Em Osório, no Rio Grande do Sul, são 75 aerogeradores, capazes de produzir 150 megawatts de energia. Mas é o Nordeste o campeão nacional de geração de energia do vento.
O Ceará detém 40% da capacidade do país. São 17 parques e já existe até aerogerador residencial para o consumidor produzir a própria energia.

Em nenhum outro lugar do Brasil a energia eólica provocou mudanças tão importantes quanto no Rio Grande do Norte. Até dois anos atrás, o estado era obrigado a importar energia elétrica para atender a demanda. Mas os bons ventos da região atraíram os investidores. Dez parques eólicos foram construídos. Outros 30 estão em construção. Até 2014, o Rio Grande do Norte será o principal produtor de energia eólica do Brasil.

Quem cede a terra onde serão instalados os aerogerados também ganha. O agricultor Rafael Luiz de Andrade conta que recebe cerca de R$ 300 por ano. “Pra mim faz a diferença porque em compensação os filhos estão trabalhando nas companhias”, diz.

A evolução tecnológica tornou a energia eólica mais sustentável. Os aerogeradores provocam pouco barulho e o risco às aves tem sido contornado com o monitoramento ambiental.
“A energia eólica é de baixo impacto ambiental. Ela causa um impacto considerável na sua construção como qualquer atividade da construção civil, mas esse impacto cicatriza com o tempo. Mas cerca de 5%, no máximo 8% da área é ocupada”, explica o diretor técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Rio Grande do Norte, Manoel Jamir Fernandes Júnior.

Um negócio tão atraente que chamou a atenção de quem sempre viu no petróleo a principal fonte de lucro. Na sala do diretor de gás e energia da Petrobras, José Alcides Santoro Martins, é possível acompanhar online, de um telão, toda a produção de energia elétrica das térmicas a diesel, a gás e eólica. “O regime de ventos na região Nordeste do país é caracterizado por baixo vento durante o dia e alto durante à noite. À noite esse valor chega a 80, até 90 megawatts de geração de energia elétrica. Cem megawatts daria para abastecer aproximadamente 350 mil domicílios”, diz José.

O setor promete mais. A crise que atinge a Europa tem levado os investidores a buscar novos mercados e o Brasil é destino certo.

Governadora nomeou, mas ainda não empossará

Deu na coluna da “Abelhinha” Eliana Lima, na Tribuna do Norte:

Para acomodar o PR – prioridade da aliança política -, a governadora Rosalba Ciarlini nomeou o ex-vereador-mossoroense Renato Fernandes para comandar a Secretaria de Turismo do Estado. A publicação saiu no DOE de hoje (31).

Maaasss…não poderá nomeá-lo agora. Só quando o deputado-platinado João Maia, presidente-republicano-estadual, aterrissar em solo potiguar, para acompanhar a solenidade de posse. Amanhã.

O que Renato Fernandes entende de turismo?

Bom…

Renato Fernandes e o líder estadual do PR, deputado federal João Maia